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Operação Lava Jato: demissões em empresas atingem jalesenses

por Luiz Ramires
01 de maio de 2017
Sidney, Guilherme e Rodrigo
Se por um lado a Operação Lava Jato está passando a limpo o sistema de corrupção das grandes construtoras com os políticos, por outro as consequências para os colaboradores dessas empresas acabam tendo um custo muito alto.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com os engenheiros jalesenses Sidney Aldrigue Júnior e Guilherme Adame Aidar e com o diretor financeiro Rodrigo Henrique de Sena Galdeano, três dos quase 600 mil trabalhadores demitidos, desde o início da operação, segundo levantamento do jornal O Estado de São Paulo.  
Sidney e Guilherme trabalhavam na UTC Engenharia que segundo o jornal, demitiu 20.325 colaboradores, o que representa 74% de seus quadros. A empresa que tinha 27.360 trabalhadores em dezembro de 2013 passou a contar com apenas 7.035 em dezembro de 2016.
Rodrigo é formado em Ciências Contábeis pela PUC-SP, com pós-graduação pela FGV-RJ e Universidade Federal Fluminense. Ele trabalhou na Petrobras de 2006 a 2011, até ser convidado para assumir como diretor financeiro de uma empresa canadense em Macaé-RJ, onde permaneceu até 2014 quando a empresa acabou deixando o país por conta da situação criada pela Lava-Jato. 
Hoje ele cuida do gado confinado na fazenda de seu pai em Paranaíba-MT e está em fase de experiência para a implantação de uma fábrica de embutidos em Jales, para a produção mensal, inicialmente de cerca de 5 mil quilos de salames, copas e outros produtos para atender o mercado regional trazendo a experiência artesanal da Itália que não existe na região.

ENGENHEIROS
Sidney é engenheiro eletricista formado pela Faculdade de Engenharia de Lins. Ele explica que grande parte dos demitidos são trabalhadores qualificados, principalmente engenheiros, muitos deles com vários anos de experiência, como é seu caso. Durante 13 anos e meio ele trabalhou na UTC, acompanhando obras em quase todo o país e de repente foi chamado no escritório em São Paulo para receber o cartão vermelho.
Sidney afirma que muitos demitidos são funcionários antigos, como vários que ele conhece, alguns com mais de 30 anos de casa. Isso porque essas empresas preferem ficar com os mais novos, como forma de reduzir custos com salários mais baixos, embora estes também estejam sendo dispensados.
Desde que deixou a UTC, em janeiro de 2015 Sidney já distribuiu mais de 1.500 currículos e continua mantendo contato com colegas pelas redes sociais, mas até agora nada. Enquanto aguarda, ele dá aulas em uma escola profissionalizante de Jales e vende lanches especiais.
Guilherme é engenheiro de meio ambiente e sanitarista formado pela FEF. É uma área da engenharia que por ser mais nova que as outras pode ser considerada mais difícil para absorção no mercado de trabalho, diante da situação vivida pelo país, não apenas em função da Lava Jato, mas da crise econômica que atinge todos os setores, como afirmou. Ele se formou em 2012 e logo já foi contratado pela UTC, onde permaneceu durante quatro anos, até 7 de julho de 2016, quando foi desvinculado.

MARCADOS
Parece estranho, mas o fato de estarem vinculados a uma empresa citada na Lava Jato também pode estar pesando na hora da entrevista para emprego, como afirmaram os dois engenheiros. Ninguém fala diretamente sobre a questão, mas muitas vezes as empresas deixam transparecer esse “preconceito”, mesmo sabendo que os mesmos não têm qualquer envolvimento com os casos de corrupção denunciados.
Outra situação, na avaliação dos dois profissionais é que mesmo as construtoras menores não estão contratando porque as obras permanecem paradas, aguardando uma definição do quadro político que certamente só vai começar a inverter depois das eleições de 2018, embora algumas obras estejam para ser iniciadas nos próximos meses.
Para complicar ainda mais, muitas empresas estrangeiras estão se aproveitando dessa situação para entrar no país, trazendo profissionais de fora, como os chineses que já adquiriram até a Usina Hidrelétrica de Ilha Solteira.
No Brasil sempre houve falta de profissionais da área tecnológica. É o que pode amenizar a situação no futuro, como acreditam Sidney e Guilherme. Eles não têm dúvida de que estariam empregados, não fosse o envolvimento das grandes construtoras com a corrupção que acabou resultando na Lava Jato.