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Omissão x Reclamação

Editorial
03 de novembro de 2019
As grandes manifestações que ocorrem em vários países da América do Sul e na Europa muitas vezes acabam resultando em mudanças de posições e decisões políticas procurando conter as ruas.
O exemplo mais dramático é o do Chile que agitou todo o país e arrastou nada menos do que 15% da população da capital, Santiago, levando o governo a pedir desculpas pela situação, destituindo oito ministros e prometendo mudar sua política econômica para amenizar o drama dos mais pobres.
No Brasil tivemos episódios que mudaram os rumos da política do país, como o das “Diretas Já” e mais recentemente as manifestações em 2013 que levaram milhões para as ruas, começando, como no Chile, contra o aumento dos preços das passagens no transporte público que depois foram crescendo sem uma pauta definida. 
Mas, afinal, o que isso tem a ver com Jales?
Guardadas as devidas proporções, as manifestações do povo costumam dar resultados, só que para isso é necessário participação, não só criticando coisas da administração pelas redes sociais, mas procurando interferir nas tomadas de decisões.
Não precisa sair às ruas batendo panelas, mas com um mínimo de envolvimento pode-se conseguir muita coisa.
Só que não é isso que tem acontecido quando se discute como investir os poucos recursos em melhorias para o município.
As audiências coletivas para debater o orçamento municipal mostram bem esse desinteresse, pois raramente contam com algumas pessoas da comunidade, além das que precisam participar por obrigação. Na última, por exemplo, no dia 30 de outubro, quarta-feira, ninguém compareceu. E isso, mesmo com o pessoal da Câmara procurando mudar o horário para as 18 horas, tentando facilitar a presença de quem pudesse ter interesse em estar presente e apresentar alguma sugestão.
Temos que levar em conta que essa situação não vem de agora, mas já se arrasta há vários anos, com um interesse cada vez menor das pessoas em debater os problemas da cidade, ao contrário do que acontecia há algumas décadas quando esse tipo de reunião mobilizava boa parte da população, inclusive com reuniões nos bairros, durante as discussões do orçamento participativo.  
Como já naquela época os recursos não eram muitos, essa participação foi se esvaziando e agora precisa ser retomada, mesmo sabendo que o dinheiro vem quase todo carimbado, ou seja, para ser investido em setores específicos, com pouca margem de manobra.
Mas são nesses encontros que as demandas mais urgentes podem ser debatidas, procurando formas de remanejar alguns recursos para atender o que a população considera importante, pois sempre existe essa possibilidade.
A esperança é que nos próximos anos esse interesse cresça, até pela necessidade de melhorias que precisam ser feitas em vários setores e nisso o comparecimento da comunidade pode interferir, desde que não se omita na hora em que for convocada.