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OBRIGADO, PADRE JOSÉ JANSEN

O Pe. José foi um dos primeiros Assuncionistas holandeses a chegar na região (1948) e o último a deixar a Diocese, em 1987, juntamente com o Pe. Edwin Smeets.
28 de novembro de 2016
O padre José Jansen, à direita, sempre com sorriso grande, sua marca registrada
O Pe. José Jansen fez sua passagem para a Folia permanente com o Rei dos Reis, com 95 anos.
Veio para o Brasil em 1948, com 27 anos. Os padres holandeses, agostinianos Assuncionistas, presentes no Brasil desde 1936, no Rio de Janeiro, João Pessoa (PB), passam a ter sua missão também em São Paulo, São José do Rio Preto, e daí a Fernandópolis, Jales...” Veio diretamente para Fernandópolis, para onde seus companheiros tinham vindo a menos de 1 ano. “A Paróquia continha a metade da futura Diocese de Jales.” Em dezembro de 1959 foi criada a Diocese de Jales, sendo o 1º bispo da Congregação dos Assuncionistas. Pe. José Jansen foi nomeado diretor da Obra das Vocações. Com a ajuda de vários padres, foram criados os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais.
“O Pe. José que, anteriormente, também tivera um programa na Rádio Cultura, nas terças e sábados, contou que a partir de 1964, todos os sábados, com uma hora na Rádio Assunção, especialmente destinado às diversas comunidades de base da Diocese. Continuou com isso até o ano de 1987, “quando foi embora da Diocese, para Campinas. Mas voltava todos os anos para os Encontros dos grupos de Santos Reis.”
O Pe. José foi um dos primeiros Assuncionistas holandeses a chegar na região (1948) e o último a deixar a Diocese, em 1987, juntamente com o Pe. Edwin Smeets.
Ao chegar, notou logo que o pessoal, frequentemente, tinha que vir de longe e a pé da roça, por exemplo, para batizar as crianças. Significava que a Igreja, na verdade, estava literalmente longe do povo. A Igreja que teria que ir de encontro ao povo. Isto foi se concretizando, mais tarde, através das conhecidas Comunidades Rurais. Adquiriu uma charrete para si mesmo, com a qual fazia peregrinações de muitos dias pelas diversas capelas, pernoitando no local.

MISSÕES 
De 1950 a 1958, como recrutador, ficou encarregado das Obras das Vocações em favor do Seminário de Rio Preto. De 1958 a 1962, foi vigário de Fernandópolis, onde trabalhou também de 1979 a 1983, nas comunidades dos bairros. Em 1962 foi transferido para Jales. Inicialmente ficou encarregado das Vocações. Notou que o povo era religioso, rezava em casa, mas pouco se fazia pela “santificação dominical”, porque havia uma grande falta de padres. Para ele, a solução era simples: organizar o “culto dominical”, sob a direção de leigos, com uma missa do padre uma vez em tantas semanas. No decorrer de 2 anos, o Pe. José conseguiu fundar mais de 200 comunidades, que podem ser consideradas as precursoras das, mais tarde, conhecidas Comunidades Eclesiais de Base (CEBS). Eram frequentes os cursos para dirigentes, realizados na Escola Vocacional de Jales. As ideias do “Mundo melhor do Pe. Lombardi” estavam presentes.
“Organizou-se no município e região, uma rede de trabalho pastoral e social que se espalhou... As comunidades formaram um solo muito fértil, não somente para uma mudança de mentalidade e para um aprofundamento do aspecto religioso e eclesial, mas, sobretudo para uma melhoria na área sócio-econômica.” Uma campanha pra aumentar a produção de girassol teve como resultado, no prazo de um ano, 120.000 kg de sementes produzidas pelas comunidades. A Diocese de Jales alcançou com a Campanha da Fraternidade 1968, o 6º lugar entre todas as dioceses do Estado de São Paulo, e o 13º lugar no Brasil, graças à participação da Zona Rural, base das comunidades.
O Pe. José, como ninguém, soube unir à Igreja as Folias de Reis, esta expressão tipicamente popular do sentimento religioso. Acompanhava a Folia de Reis de uma comunidade para outra. Os dirigentes preparavam o pessoal para a vinda da “Folia do Padre.” Durante quinze dias, do Natal até a festa dos Reis Magos, passavam de casa em casa, na zona rural, anunciando a História da Salvação. No final, durante 3 dias, organizava-se, na Escola Vocacional de Jales, um encontro festivo de encerramento, com avaliação, formação e planejamento. As Folias de Reis floresceram como nunca.
Testemunhos: São muitas as manifestações escritas e orais...
Joana: “Conheci o Pe. José Jansen ainda criança. Fui dirigente de Comunidade (Arari/Urânia). Tive muito incentivo nos teatros, acompanhava Folias de Reis, participei nos programas de rádio Amanhã é Domingo”.
Cida Vituri: “Lembro bem da campanha da galinha choca e do girassol, para manter a comunidade. Deixa saudades!”
Eva Dourado (Arari): “Chegava de trator, de charrete, de carrinho, a cavalo, a qualquer hora. A celebração se realizava em pequenas capelas, nas casas e até debaixo de árvores.”
Jacinto Dourado (Urânia): de 68 a 75, fui coordenador de compras e vendas em conjunto, sistema cooperativa. Unia os pequenos e médios produtores das comunidades para comprar insumos agrícolas, como adubo, inseticidas. Como o volume era grande, havia desconto de até 50%. O Pe. José criou um jornalzinho, que circulava uma vez por mês, chamado UPA (União dos Produtores de Algodão).
Obrigado, Pe. José Jansen!

por Pe. Antonio de Jesus Sardinha
(Vigário Geral da Diocese)

Aos Religiosos Agostinianos da Assunção e aos familiares do Pe. José Jansen, a.a.

 Estimados irmãos, estimadas irmãs,

Dirijo-lhes estas palavras representando a Diocese de Jales, Estado de São Paulo, Brasil, especialmente nossos diocesanos que conviveram com o Pe. José Jansen, de quem nos despedimos com pesar, cordialmente agradecidos pela generosa e frutuosa missão que ele realizou entre nós, durante longos anos.

“Se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá só; mas se morrer produzirá muito fruto” (Jo12,24). Estas palavras de Jesus nos consolam porque nos fazem recordar o Pe. Jansen, adentrando-se nas realidades sofridas de nosso povo, como grão de trigo na terra, que morre, germina, cresce e frutifica. Elas também nos inspiram a fazer o mesmo que ele testemunhou: doar nossas vidas em prol de todos, como humildes servidores do Senhor.

Hoje, colhemos os frutos do que ele plantou e espalhamos as sementes que ele nos deixou, esperançosos de participar com ele na ceia eterna que Cristo nos preparou. Estamos certos de que, nessa festa, ele já adentrou.

Sintam-se abraçados por nós, com o mesmo amor que o Pe. Jansen nos comunicou, com a mesma solidariedade que ele nos testemunhou, com a mesma fé em Cristo Ressuscitado que, em nossos corações, ele cultivou.

Em comunhão no Senhor,

Dom Reginaldo Andrietta

Bispo Diocesano de Jales