quarta 14 abril 2021
Arquibancada

Obrigado, Capita!

O futebol brasileiro e o mundo perderam uma celebridade na terça-feira. Vítima de um enfarte fulminante, Carlos Alberto Torres, aos 72 anos, faleceu no Rio de Janeiro, e deixa órfã uma série de grandes torcidas do país.
Com personalidade marcante e olhar profundo, o ex-lateral direito era diferenciado não apenas pela sua qualidade técnica, a qual dispensa qualquer tipo de comentário. Líder dentro de campo, apresentava maestria para comandar e orientar seus companheiros, independente do clube em que tenha jogado. Na pior das hipóteses, suas broncas eram sempre construtivas. Aliás, nem Pelé, companheiro de Santos e de New York Cosmos, saía imune.
Um dos maiores jogadores da história em sua posição, o Capita possuía características das quais o futebol verde-amarelo ainda carece no setor: exemplo de homem e deatleta, com forte poder de finalização, além de desfilar pelos gramados com classe com a bola nos pés.
Ao erguer o troféu Jules Rimet nas tribunas do Estádio Azteca, em 21 de junho de 1970, Carlos Alberto colou para sempre sua imagem na memória coletiva. Célebre integrante da seleção considerada a melhor de todos os tempos, o ex-jogador mais do que carregou a braçadeira daquele lendário “Brasil de 70”. É impossível esquecer-se da famosa jogada do time tricampeão mundial, finalizada por ele, fuzilando as redes após uma troca de passes dos sonhos entre Rivellino, Jairzinho, Clodoaldo e Pelé. Foi o último gol da vitória por 4 a 1 sobre a Itália, que confirmou a terceira estrela dourada no México.
O Capitão foi, sem dúvida, um dos nomes de jogadores que mais ouvi durante a minha infância. Foi ídolo de uma geração. Aliás, não podia ser diferente para aqueles que tiveram a oportunidade de vê-lo atuar. A elegância e a técnica, acompanhadas do preparado físico em dia, eram aspectos que as pessoas mais experientes sempre ressaltaram.
Cresci com uma grande admiração por Carlos Alberto Torres, não só por aquilo que fez dentro das quatro linhas. Não vi jogar e não o conheci pessoalmente, mas sinto como se tivesse acompanhado toda sua carreira. Ser reverenciado no mundo todo pelo seu passado, aliás, é para poucos. Vá em paz, Capita!

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 


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