domingo 27 setembro 2020
Editorial

O vírus e a urna

Em meio ao choque causado pelo coronavírus sob a forma de pandemia em nível mundial, muita gente se esqueceu de que a semana que começa é fundamental para o calendário das eleições municipais agendadas para o dia 4 de outubro. 
No próximo sábado, 4 de abril, expira o prazo para que os interessados em disputar as eleições, principalmente os detentores de mandatos como prefeitos e vereadores, mudem de partido. 
Salvo melhor juízo, não se percebeu, em nível local ou regional, o tradicional mexe-mexe partidário, uma das características marcantes que precedem as convenções municipais, eis que quem mudou de partido já o fizera muito antes do prazo fatal.  
Em compensação, cresce cada vez o ruído em torno de algo muito mais relevante pontuada por uma pergunta que não quer calar: afinal de contas, vai ter eleição municipal em 2020?
 O primeiro a levantar esta questão foi o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, estrela em ascensão no governo federal que, noves fora a escorregada que deu na última quarta-feira, dia 25, ao ser pouco assertivo em relação ao isolamento  social tão combatido pelo presidente Jair Bolsonaro, vem conduzindo com serenidade a força-tarefa de contenção do Covid 19.
Médico de formação, mas deputado federal com dois mandatos no currículo, portanto conhecedor do mundo real, o ministro, em encontro com prefeitos, sugeriu a eles que pensassem na dificuldade que será combater o vírus e, ao mesmo tempo, fazer campanha.  
A fala de Mandetta não teve boa receptividade em alguns setores influentes. Por exemplo, o ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal, que assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral nos próximos dias, instado por jornalistas, bateu na tecla de era preciso respeitar o calendário. 
Já o sempre centrado deputado federal Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, desconversou, alegando que ainda é cedo para pensar no assunto. 
Pois bem, a jornalista Rosângela Bittar, colunista do jornal “O Estado de S. Paulo”, lembrou que o assunto vai comportar muita discussão porque a estimativa é de que haverá 470 mil candidatos concorrendo às 5.560 prefeituras e 57 mil cadeiras de vereador.
Mais um número que não pode ser ignorado: cerca de 80% dos 5.560 municípios têm até 20 mil eleitores. Todos sabem que em tais localidades não se faz campanha sem reuniões, aglomerações e corpo-a-corpo. 
Resumo da ópera: muita água ainda vai rolar debaixo da ponte até que os cabeças coroados lá de cima decidam se vai ou não vai haver eleições municipais em 2020.

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