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O verdadeiro patrão

Editorial
09 de fevereiro de 2020
No imaginário popular políticos com mandato são pessoas que mandam e desmandam, prendem e soltam, fazem e acontecem. 
Em termos da chamada velha política, era o que efetivamente acontecia. A caneta do poder operava milagres e, com as exceções de praxe, sempre em benefício dos apaniguados que lhes batiam continência. 
Inebriados pelo mandato, presidentes, governadores e prefeitos, cada qual no seu pedaço, adoravam dar demonstrações de força especialmente se tivessem diante de si plateias dispostas a aplaudi-los. 
Não foram poucas as vezes em que líderes de comportamento populista agiam como verdadeiros reis, usando o dinheiro público de acordo com suas conveniências político-partidárias.  
 O ex-governador Paulo Maluf era um deles. Contando hoje poucos acreditam que um de seus maiores prazeres era distribuir cheques para pequenas obras nos palanques armados nas cidades do interior, inclusive em Jales. 
Mas, não era só ele. Orestes Quércia, que cresceu em cima do declínio malufista, também tinha lampejos de dono da bola. Em 13 de abril de 1988, em concentração realizada em Jales, na Escola Estadual Dr. Euphly Jalles, ele lançou um repto ao então presidente José Sarney, que estava presente, acompanhado de nove ministros. 
 “Eu me comprometo a bancar 50% da construção da ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná”, bradou o governador paulista. Ao presidente, pego no contrapé, não restou outra alternativa que não a de concordar e se comprometer com a outra metade do custo da obra.   
A farra da gastança acabou desde a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impôs uma certa disciplina aos gastos públicos, inclusive porque os mandatários têm em seus calcanhares instituições como Tribunal de Contas e Ministério Público.                       
Hoje, com dinheiro carimbado para educação (25%), saúde (15%), folha de pagamento (que não pode passar de 54%), governar virou sinônimo de administrar a escassez. 
Vai daí, é preciso ter criatividade e, neste quesito, uma das maiores demonstrações de que a necessidade faz a oportunidade, um bom exemplo é o Poupatempo, ferramenta criada pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), em 1996, no governo Mário Covas. 
Hoje, o Poupatempo, em suas diversas versões, oferece mais de 400 serviços, mas a filosofia é a mesma: concentrar a maior parte deles em um mesmo local. 
A inauguração da unidade de Jales do Poupatempo programada para ontem, dia 8 de fevereiro, com a presença do governador em exercício, Rodrigo Garcia (DEM) é a prova viva de que o coronelismo político é coisa do passado.
De uns tempos a esta parte, o verdadeiro patrão dos políticos é quem paga a conta: o povo.