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O (rena)nascimento de um texto

Por Prof. Me. Alessandra Manoel Porto
12 de janeiro de 2020
Prof. Me. Alessandra Manoel Porto
E o que seria um texto? Muitos linguistas, em uma das muitas definições, afirmam ser o texto um conjunto de palavras escritas ou faladas que que combinam entre si na geração de um sentido, ou de sentidos...; podem ser divididos em verbal (com uso de palavras) e não verbal (com uso de gestos, imagens, placas, etc). 
Você já parou para pensar como surgem os textos, os mais diversos, mas, sobretudo, aqueles textos em forma de música?  Eles (re)surgem, (re)nascem e, às vezes, a partir deles, até mesmo outros textos surgem. Na verdade, não conseguiremos explicitar o início e o fim de um texto, e nem sempre encontramos respostas, mas cá entre nós: simpatizando ou não com as letras que muitos deles contêm, o que nos impressiona é como eles chegam até nós e ganham dimensões incalculáveis.
Não poucos são os exemplos que nos bombardeiam diariamente nas mídias sociais. Pensemos, assim, no caso da música que, há pouco, viralizou nas redes - um vigilante no município de Balsas, MA, Manoel Gomes é o autor do famoso hit “Caneta Azul”. Deixemos de lado nossas considerações quanto ao seu significado e enredo, mas falemos, sim, da magia com que um texto, vazio (se assim podemos falar) ou não, ganha espaços na sociedade.
Um trecho de uma música sertaneja traz o paradoxo “o início é o princípio do fim”; e assim são os textos: vão surgindo criações tão criativas, bem redundantes mesmo, que nos deixam boquiabertos com a rapidez com que eles, os “novos textos”, são criados. Voltemos à Caneta Azul (aguente mais um pouquinho falarmos sobre ela!): vários outros textos vieram após ela, uma invasão na web! Teve analogia à caneta “Bic” do atual presidente;  empresas do ramo, como Tilibra e Bic, se apropriaram da “caneta azul”; e até mesmo universidades e o próprio MEC (Ministério da Educação e Cultura) “brincaram”, nas vésperas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), para convocar os alunos à prova e ao uso da caneta, que NÃO  deveria ser azul
Podemos até tecer críticas quanto ao conteúdo, mas não podemos negar a criatividade que textos-outros vão sendo recriados. É tão fantástico e tão rápido que, se não buscarmos (nem sempre é possível) a “origem”, não conseguiremos compreender a essência de tantos textos que estão por aí, circulando, saindo até da linguagem verbal e indo para a linguagem visual, que explora as imagens, gestos.
Um texto é produto humano, portanto, pensado ideologicamente, seja para informar, para emocionar, para vender, seja para se mostrar ao outro nossas dores, anseios e alegrias. De onde eles vêm? Vêm dessas necessidades do homem, movidas por interesses diversos, até inconscientemente, mas nunca como origem primeira.
Avancemos, por fim, nosso olhar em como a capacidade humana “brinca” com pequenas invenções de escrita com os objetivos mais incomuns possíveis, mesmo que efêmeros, mas que deixam marcas, mesmo sem serem com a caneta azul (pronto, não vou citar mais).

Prof. Me. Alessandra Manoel Porto 
– alessandra.porto@fatec.sp.gov.br
Docente Fatec Jales – fatecnologia@fatecjales.edu.br