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O que está por trás da campanha da Globo

Perspectivas por MARCO ANTONIO POLETTO
05 de agosto de 2018
Sei que deveria estar falando sobre o show do Mestre Chico Buarque e Gilberto Gil realizado dia 28 no Rio pelo #LulaLivre, mas, vários articulistas já expressaram quase tudo o que penso sobre a maior farsa patrocinada pela turma do Dellagnol e seus pares. Meu assunto aqui é outro, mas não menos relevante. Vocês já se deram conta do que está por trás da campanha da Rede Globo, pedindo para os cidadãos incautos enviarem vídeos dizendo “Qual o Brasil que queremos”? Vamos supor que 30 milhões de brasileiros atendam ao chamado insistente da emissora, em seus programas jornalísticos, e gravem imagens de 15 segundos com o celular na posição horizontal. A família Marinho não está interessada naquilo que você tem a dizer, está pouco se importando para o ponto turístico que você escolheu como pano de fundo de sua mensagem, e posso garantir que ninguém vai prestar atenção nas suas palavras. O que interessa, nessa campanha, é o seu nome e o número do Whatsapp.
A Globo está montando o maior banco de dados a serviço do candidato a presidente que apoiará nas eleições de 2018. Simples assim. Seja lá quem for, o representante dos Marinhos terá em mãos uma poderosa ferramenta de persuasão eleitoral, para montar seu programa de governo e enviar mensagens dirigidas a cada participante dessa campanha imoral, falando exatamente aquilo que eles querem ouvir. Quem está por trás dessa estratégia de comunicação entende o poder das redes sociais, e pretende com isso preencher a lacuna deixada pela falta de credibilidade da mídia tradicional, que atingiu em cheio o jornalismo desmoralizado da Vênus Platinada.
Quem conhecia bem os estratagemas golpistas da Globo era o saudoso Leonel de Moura Brizola. Se vivo fosse, já teria denunciado aos quatro ventos essa manipulação descarada da família Marinho, assim como fez quando tentaram impedir sua eleição ao governo do estado do Rio de Janeiro, com o escandaloso caso Proconsult. Espero que entrem com uma representação na Justiça para impedir a construção desse banco de dados disfarçado de exercício de cidadania, que será usado para fins eleitoreiros, em flagrante desvantagem aos postulantes ao Planalto, que não se afinam com os interesses da emissora do Jardim Botânico. Entretanto, a coisa não tem saído como a emissora e os criadores da campanha esperavam. Além da chatice das instruções com uma repetição exaustiva de ‘dois passos de distância e celular na horizontal’, o intuito da campanha está sendo questionado por um número expressivo de telespectadores e internautas (sim, porque os apresentadores de telejornais estão empenhados em divulgar a campanha também em suas redes sociais). Ai a suspeita de que esses depoimentos coletados em vídeo tenham a finalidade de abastecer a plataforma política de alguém ‘simpático’ à rede de TV (a Globo é pródiga em lançar salvadores da pátria e ninguém duvida que ela tenha cartas na manga para este ano), de municiar um candidato com informações que venham de mão beijada, de forma a moldar o discurso que entre como uma luva no telespectador/eleitor.
“O Brasil que gostaríamos não existe para os pobres. Só para os ricos e nas novelas da rede golpista. Queremos hospitais, segurança, educação e moradia. O que a rede globo pretende maquiar desta vez?”; “15 segundos? Tá de brincadeira, com esse tempo não dá pra fazer nem um miojo, que dirá pra falar do Brasil que quero, com tanta coisa para arrumar e sujeira para limpar. “O Brasil que queremos não passa na Globo”. A enxurrada de críticas e desconfianças faz com que Bonner tenha que explicar diariamente o que a campanha deseja. “Oferecer ao país um mosaico dos anseios dos cidadãos. Uma oportunidade de verbalizar o que cada um quer e o que não quer para o nosso futuro. Nada de pé atrás! ”, escreve ele para em seguida retomar as instruções de como fazer o vídeo (“Diga seu nome e a cidade de onde está falando”, mais parece ligação a cobrar feita de telefone público). Em vão. Já está nítido para uma grande parcela da população que a emissora não faz nada sem segundas intenções.

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)