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O que aprendemos com o massacre

Perspectivas por Ayne Regina Gonçalves Salviano
25 de março de 2019
Ayne Regina Gonçalves Salviano
Toda escola deveria ser um local sagrado. Um lugar onde pais deixassem seus filhos para aprender e se tornarem seres humanos melhores. Por este motivo, a invasão e o massacre ocorridos recentemente na escola de Suzano choca as pessoas de bem.
Certamente os assassinos estavam doentes porque apenas cérebros doentios são capazes de planejar mortes de inocentes. A pergunta é: quantos outros cérebros ‘danificados’ nos circulam? 
Muitos. Basta ouvir e ler os comentários após este episódio trágico. As redes sociais foram inundadas de áudios e textos que não valem a pena ser repetidos, mas de pessoas idolatrando os assassinos e instigando outras ações similares.
A verdade é que mesmo antes desta tragédia, outros discursos de ódio e imagens com pessoas portando ou simulando o porte de armas foram divulgados apoiando a ideia absurda de que violência se combate com mais violência? Teve até político sugerindo que professores e funcionários de escolas armados impedirão outras chacinas. 
Aos políticos de plantão que costumam gritar para serem ouvidos (porque se conversassem certamente não seriam levados a sério porque nunca têm argumentos convincentes): Professores não querem andar armados. Professores acreditam na educação como forma de mudar, para melhor, o mundo e o país onde vivemos.
Sim, o ódio está no ar e está vencendo. O desamor está na moda. Transformar frustrações e rejeições em assassinato virou notícia comum na mídia brasileira. É preciso parar esta avalanche. E a saída não é armar as pessoas. 
A saída é investir em educação, escola pública de qualidade para todos, onde crianças e jovens aprendam as disciplinas curriculares mais esportes e artes. Onde consigam se alimentar e encontrem respeito para aprender a valorizar o que é bom e certo. 
A saída está em formar bons educadores, remunerá-los dignamente, dar a eles condições de trabalho como bibliotecas, laboratórios, centros de informática, quadras poliesportivas. O ódio não pode vencer.

Ayne Regina Gonçalves Salviano
(é jornalista e professora. Mestre em Comunicação e Semiótica com MBA Internacional em Gestão Executiva. É co-leader da Damásio Educacional Araçatuba)