quarta 03 junho 2020
Perspectivas

O que aprendemos com o massacre

Toda escola deveria ser um local sagrado. Um lugar onde pais deixassem seus filhos para aprender e se tornarem seres humanos melhores. Por este motivo, a invasão e o massacre ocorridos recentemente na escola de Suzano choca as pessoas de bem.
Certamente os assassinos estavam doentes porque apenas cérebros doentios são capazes de planejar mortes de inocentes. A pergunta é: quantos outros cérebros ‘danificados’ nos circulam? 
Muitos. Basta ouvir e ler os comentários após este episódio trágico. As redes sociais foram inundadas de áudios e textos que não valem a pena ser repetidos, mas de pessoas idolatrando os assassinos e instigando outras ações similares.
A verdade é que mesmo antes desta tragédia, outros discursos de ódio e imagens com pessoas portando ou simulando o porte de armas foram divulgados apoiando a ideia absurda de que violência se combate com mais violência? Teve até político sugerindo que professores e funcionários de escolas armados impedirão outras chacinas. 
Aos políticos de plantão que costumam gritar para serem ouvidos (porque se conversassem certamente não seriam levados a sério porque nunca têm argumentos convincentes): Professores não querem andar armados. Professores acreditam na educação como forma de mudar, para melhor, o mundo e o país onde vivemos.
Sim, o ódio está no ar e está vencendo. O desamor está na moda. Transformar frustrações e rejeições em assassinato virou notícia comum na mídia brasileira. É preciso parar esta avalanche. E a saída não é armar as pessoas. 
A saída é investir em educação, escola pública de qualidade para todos, onde crianças e jovens aprendam as disciplinas curriculares mais esportes e artes. Onde consigam se alimentar e encontrem respeito para aprender a valorizar o que é bom e certo. 
A saída está em formar bons educadores, remunerá-los dignamente, dar a eles condições de trabalho como bibliotecas, laboratórios, centros de informática, quadras poliesportivas. O ódio não pode vencer.

Ayne Regina Gonçalves Salviano
(é jornalista e professora. Mestre em Comunicação e Semiótica com MBA Internacional em Gestão Executiva. É co-leader da Damásio Educacional Araçatuba)
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