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O prêmio de Chico e o Sarau no Ponto

Editorial
26 de maio de 2019
Nem só de debates sobre a tramitação do projeto de reforma da Previdência Social viveu o país na semana que passou.
Em meio ao bate-cabeça do governo, que parece não saber bem o que quer, e às tentativas do comando da Câmara Federal de calibrar o discurso para evitar ficar com o rótulo de vilão do imbróglio, os grandes jornais e as redes nacionais de televisão encontraram espaço para noticiar com o devido destaque a conquista de um brasileiro que honra o país em que nasceu.
Com todos os méritos, o compositor e escritor Chico Buarque de Hollanda foi contemplado com o Prêmio Camões, máxima láurea conferida por notáveis dos países de língua portuguesa.
A conquista de Chico serviu para desanuviar um pouco o ambiente e coincidiu com a semana de preparação de manifestações programadas para hoje, dia 26, inicialmente  com o objetivo de emparedar os supostos “inimigos” do governo Bolsonaro.
 Felizmente, não tem só maluco no atual governo. Preocupada com a escalada incendiária da ala xiita, a deputada estadual Janaina Paschoal (PSL), do alto de seus 2 milhões de votos e com a autoridade de quem foi uma das signatárias do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, veio a público para pedir serenidade.
 A intervenção da deputada e de outros homens públicos preparados conseguiram convencer a cúpula bolsonarista pelo menos a um pequeno recuo, mudando o foco da mobilização, que não mais serão  de protesto contra ninguém especificamente, mas a favor das reformas, diga-se de passagem, absolutamente necessárias para tirar o país da estagnação com seus 13 milhões de desempregados.
E, perguntaria o leitor, o que tem a ver Chico Buarque e o Prêmio Camões com tudo isso? Aparentemente, nada, mas, na verdade, tudo. Para quem não se lembra, há oito meses, durante a eleição presidencial, declaração de apoio do artista-escritor a favor do candidato Fernando Haddad, do PT desencadeou um festival de ofensas e até ameaças através do exército virtual encastelado nas redes sociais.
Transferindo o raciocínio para nosso quintal, é forçoso reconhecer que, se em nível nacional a discussão é sobre reforma da Previdência, em termos locais também há espaço para assuntos que ultrapassam o universo de recapeamento asfáltico, construção de casas populares, reforma da UPA, etc...
Há outros personagens na cena local realizando trabalhos que têm a ver com a construção de uma cidade melhor a partir do engajamento em projetos culturais.  
Para não ir muito longe, vale recordar o que aconteceu há duas semanas quando a Escola Livre de Teatro desenvolveu a 8ª edição do Sarau no Ponto, uma forma inteligente de levar arte às ruas, a melhor tradução da máxima segundo a qual o artista deve ir onde o povo está. 
Para quem não conhece ou nunca participou, o Sarau no Ponto como registrou este jornal, envolve pessoas de todas as idades que se acotovelam na parte externa do Centro Cultural em atividades como “Cabine Poética”, “Aqui se faz”, “Pontinho de Cultura para as Crianças”, “Pé de Poesia” e até uma praça de alimentação denominada de “Sabor & Prosa”.
Resumo da ópera: apesar de tudo, nossa cidade tem jeito... 

**O Editorial reflete a opinião deste jornal**