Editorial

O preço da liberdade

Prevaleceu o bom senso. Na última terça-feira, 14 de abril, o Diário Oficial do Município publicou o Decreto nº 8.071, estabelecendo novas medidas para proteção da população e enfrentamento da Covid 19.

Na prática, o ato oficial flexibiliza o Decreto Estadual que reconheceu o estado de calamidade pública no Estado de São Paulo, o Decreto Municipal que estendeu a medida para Jales e o Decreto Estadual que declarou quarentena em território paulista.

Indo direto ao assunto, o decreto prefeitural permite o funcionamento dos estabelecimentos comerciais e prestadores de serviço não reconhecidos como atividade essencial mediante atendimento na forma “portas fechadas”, ou seja, sem presencial interno, somente com uma ou metade dela aberta, com obstáculo na entrada para o impedir o acesso das pessoas no seu interior, sem prejuízo de outras formas de atendimento como sistema de drive thru, delivery ou retirada no local.

Só que os estabelecimentos liberados para funcionar nas modalidades referidas no parágrafo anterior terão que obedecer a algumas regras desde a disponibilização de álcool gel aos seus clientes até divulgar informações sobre as medidas de prevenção.

Cautelosamente, no artigo 6º, o documento oficial estabeleceu que as medidas previstas no decreto poderão ser reavaliadas a qualquer momento.

Foi exatamente por esta razão que o Ministério Público Federal em Jales, cujos membros são conhecidos como guardiões da lei, divulgou nota pedindo à Prefeitura que prestasse esclarecimentos sobre as reais condições de unidades de saúde da cidade, entre as quais Santa Casa e Hospital de Amor.

Vale lembrar que um dos argumentos expostos no decreto municipal para a flexibilização foi a inexistência de óbitos até aquela data e nenhum paciente internado na UTI.

Na verdade, até o momento, a situação da Covid-19 está sob controle em Jales e graças a investimento de mais de R$ 2 milhões, a Santa Casa, em parceria com a Prefeitura, montou uma estrutura invejável.

Trata-se de uma unidade independente para quem apresentar sintomas de síndrome gripal, com 11 leitos clínicos, 4 de UTI para adultos e 2 de UTI pediátrica, além de uma equipe técnica integrada por 11 médicos, 18 profissionais de enfermagem, 7 fisioterapeutas, 5 operadores de Raio X e duas pessoas para a limpeza, além de 6 recepcionistas para orientar pacientes.

E mais: atualmente a Santa Casa tem à disposição 21 respiradores, dos quais 16 para adultos e 5 para o neonatal e adquiriu mais 10 que deverão chegar até o dia 10 de maio.

Em resumo, agora é só a população ter juízo e agir como recomenda a ciência. A flexibilização não deve ser sinônimo de relaxamento. Afinal, o preço da liberdade é a eterna vigilância!

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