quarta 23 setembro 2020
Editorial

O mundo é dos ousados

O Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea programou para ontem, dia 15 de fevereiro, a entrega de certificados à primeira turma de concluintes do curso de psicanálise ministrado no polo de Jales por profissionais do mais alto nível oriundos de várias partes do Brasil. 
O fato, por si só, já é digno de registro, na medida em que contempla a qualificação de pessoas de nível superior não somente para o trabalho em clínica, mas para o aprimoramento do exercício profissional de cada um e até para a vida pessoal de todos.  
Mas, levando-se em consideração que Jales tornou-se a menor cidade do mundo a conquistar a instalação do polo de um curso de psicanálise, o fato de ontem ganha outra dimensão. 
Vale lembrar aqui o que revelou o psicanalista Roberto Gonçalves, presidente do IBPC, a propósito das tratativas que precederam a instalação do curso. 
Ele, que além de   psicanalista, também é sociólogo, cientista social, historiador e dramaturgo, contou que o processo de interiorização do divã pilotado pelo IBPC começou em 2014, a partir do Vale do Paraíba, espalhando-se aos poucos pelo território nacional.
O sonho dele e da diretora-administrativa Marli Lorena era levar a psicanálise para fora dos grandes centros urbanos permitindo que o divã chegasse ao maior número possível de pessoas que não conseguem chegar até ele, prejudicadas pela distância e desconhecimento.
E, perguntaria o atento leitor:  como Jales entrou no mapa mundial da psicanálise? Dá para imaginar o tamanho da dificuldade em implantar algo desta natureza em uma cidade com população de 50 mil habitantes, portanto teoricamente incompatível com a grandiosidade do projeto. 
 Tais barreiras só foram transpostas por uma  razão pura e simples: Roberto, mentor da instituição, é jalesense e, desejoso de deixar um legado para o povo da  cidade onde viveu infância, adolescência e parte da juventude e onde tem raízes familiares, entendeu que valia a pena investir em algo tão  inovador, capaz de tocar corações e melhorar cabeças.
Felizmente, apesar dos percalços, a primeira etapa foi vencida e, a se julgar pelo número de formandos, o projeto foi aprovado com louvor.   
 A entrega dos certificados na noite de ontem é a prova viva de que, como escreveu o poeta português Fernando Pessoa, “tudo vale a pena/se a alma não é pequena”. Ou, como se diz em linguagem futebolística, “artilheiro não acredita em bola perdida”.
Um curso de psicanálise funcionando regularmente em Jales reafirma a crença de que o mundo é dos ousados. 

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