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O melhor lugar para aprender

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
12 de maio de 2019
Ayne Regina Gonçalves Salviano
No Brasil, aproximadamente 5 mil famílias são adeptas do homeschooling, modalidade de ensino onde os pais dedicam-se à instrução integral dos filhos sem o auxilio de uma organização escolar. Esse número, calculado pela Associação Nacional de Educação Domiciliar (Aned), pode subir nos próximos meses uma vez que o presidente Jair Bolsonaro acaba de assinar um projeto de lei que regulamenta a prática e a ministra Damares Alves, da Família, Mulher e dos Direitos Humanos, disse que trabalhará para uma tramitação rápida no Congresso.
Os pais que preferem educar seus filhos em casa manifestam preocupação com o assédio moral, o bullying e a insegurança nas escolas. Há famílias que também levam em consideração suas questões religiosas ou crenças pessoais. Por fim, há também aqueles que acreditam que em casa poderão proporcionar melhores resultados acadêmicos aos filhos devido a uma maior flexibilidade de tempo, planejamento de conteúdo e acompanhamento individualizado.
Não faço parte dos adeptos do homeschooling. Concordo é com a professora Cláudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais (Ceipe). Para ela, a escola é o melhor lugar para se aprender porque o aprendizado nas instituições de ensino não trata apenas dos conteúdos curriculares, vai muito mais além. Tem a ver com a socialização, o enfrentamento de problemas e desenvolvimento de habilidades socioemocionais. A escola é treino para a vida.
É bem verdade que existe um modelo de escola a se perseguir. É aquele em que educadores, familiares e toda a comunidade se reúnem para pensar os modelos de educação mais adequados para crianças e jovens. Uma escola que tenha as disciplinas curriculares, mas também diversão e arte. Uma escola que tenha planejamento e prazos, mas também muito prazer (para aliviar a dor, como cantou o grupo Titãs). 
Dar aos pais brasileiros um apoio legal para a educação em casa é atitude de país democrático. Mas incentivar o homeschooling é um equívoco. O ser humano é um ser social.

Ayne Salviano
(é jornalista, professora, mestre em Comunicação e Semiótica. É co-leader do Damásio Educacional Araçatuba)