jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

O mapa da mina

Editorial
08 de setembro de 2019
Nas duas últimas décadas do século passado, especialmente entre 1989 e 1995, Jales tornou-se conhecida Brasil afora por duas razões: 1ª) produção de uva fora de época, a chamada uva temporã; 2ª) o altíssimo nível do basquete profissional. 
No primeiro caso, no Ceasa e nas mais renomadas redes de supermercados, a marca “Uva de Jales” nas caixas agregava valor ao produto exposto nas gôndolas. No segundo, a projeção do basquete jalesense era um poderoso ativo, eis que os jogos realizados dentro e fora do Ginásio Municipal de Esportes tinham ampla cobertura de televisão e grandes jornais. 
Porém, por excesso de timidez e até mesmo de visão empresarial, praticamente ninguém aproveitou o boom da uva e do basquete.
Faltou quem percebesse que a produção de uva fora de época poderia ser o embrião do que hoje se chama de turismo rural e que, não havendo nenhuma equipe de basquete de alto nível de São Carlos até a barranca do rio Paraná, os jogos aqui realizados seriam excelente chamariz para atrair visitantes para a cidade, movimentando restaurantes, hotéis, farmácias, postos de gasolina.
Tais reflexões vêm a propósito da Feira de Agronegócio da Uva e do Mel agendada para o próximo fim de semana — 13 e 14 de agosto — na Praça Dr. Euphly Jalles. 
A inclusão do vocábulo “agronegócio” dá ao evento o caráter de exposição e de possibilidade de efetivação das chamadas vendas no varejinho, para os visitantes da própria cidade, como de celebração de contratos no atacado   com os grupos empresariais que absorvem a produção regional  
Outro aspecto importante, aliás, bem ressaltado em entrevistas radiofônicas tanto pela secretária de Agricultura, Sílvia Avelhaneda, presidente da comissão organizadora, quanto pelo prefeito Flávio Prandi Franco, é que foram convidados e confirmaram presença produtores de Urânia e Palmeira d’Oeste. 
Como ambos os municípios também se tornaram respeitáveis polos produtores da fruta, a feira de Jales, inclusive pela situação geográfica da cidade, ganha alto poder de fogo em termos de geração de recursos. 
Mas, não basta. Falta fazer o resto da lição. Ou seja, investir também no segmento denominado turismo rural, que movimenta não somente  a cadeia produtiva, mas também os demais braços do negócio, como a rede hoteleira e os restaurantes, só para ficar em dois aspectos.
Registre-se, a bem da verdade, que Urânia, a 10 quilômetros de Jales, já deu os primeiros passos neste sentido e os resultados iniciais parecem promissores.     
Como Jales, já 10 dias, recebeu do Ministério do Turismo o certificado do Sistema de Informações do Programa de Regionalização do Turismo, o que valeu inclusão da cidade no Mapa do Turismo Brasileiro, abre-se uma janela de oportunidades no sentido de que a realização da Feira de Agronegócio da Uva e do Mel seja um divisor de águas.
Se, no passado, os jalesenses não aproveitaram o boom da uva e do basquete, é hora de recuperar o tempo perdido e fazer da produção e comercialização da fruta um instrumento permanente de geração de emprego e renda.