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O Jogo Baleia Azul e a Psicologia

Perspectivas
26 de junho de 2017
Daniela Costa Baratela Pimenta
Com repercussão mundial, Baleia Azul é um jogo virtual presente nas redes sociais e tem em sua maioria o público jovem. Os participantes se submetem a 50 desafios,entre eles, a automutilação, colocar-se em situações de perigo, ficar doente e por fim, o suicídio. Os jogadores trocam mensagem e seguem as comandas do curador do jogo. Para participar é necessário ser convidado e demonstrar interesse. Se, no decorrer, o participante queira desistir, este sofre ameaças, especialmente, contra seus familiares tornando-se obrigado a dar continuidade.
Alguns podem perguntar o que leva uma pessoa a querer participar de um jogomortal como o Baleia Azul. Cada pessoa é única e, sendo assim, ela possui sua personalidade, seus conflitos, suas angústias e sua maneira de lidar com o sofrimento. De modo geral, pensa-se que há no jogador uma fragilidade psíquica que o tenciona a se envolver de forma autodestrutiva e para tanto, necessita de apoio de seu meio e ajuda profissional. Com relação ao curador do jogo, pode-se remeter que apresenta características de psicopatia, quando indica a necessidade de estar no controle e satisfação subjugando o outro ao sofrimento.
Porém, alguns fatores, entre muitos, são essenciais para a manutenção da saúde mental. Aparentemente, os jogadores se mostraram enfraquecidos no sentimento de pertencimento, no medo e na diferenciação do outro. Sinteticamente, é importante a pessoa se sentir pertencente a um lugar, a uma família ou pessoas como referência de afeto, garantia de suas origens e seus valores. É necessário respeitar os limites e o medo, pois traz a noção de preservação da vida. Manter psicologicamente “aquilo” que garante quem é você, para não se misturar a ponto de “desfazer-se” no outro. 
Enfim, em um mundo em que as pessoa sestão cada vez mais desenfreadas em viver virtualmente, rompendo com a presença nas relações interpessoais, torna-se fácil instaurar a incerteza de quem se é, e assim, predispostas a estarem reféns de jogos como o Baleia Azul. Especialmente os jovens que estão em contato direto e por horas a fio com os jogos virtuais, vivenciando as indagações da adolescência conjuntamente com o distanciamento ou frouxidão dos vínculos afetivos de pessoas significativas para o seu desenvolvimento. 
O alerta fica para nós vivenciarmos intensamente as relações interpessoais no mundo real e criar espaço para o diálogo e consequentemente, o amadurecimento emocional saudável e evolução enquanto ser humano.
Os pais precisam ficar atentos nas mudanças de comportamentos dos filhos, principalmente se estão manifestando atitudes e hábitos diferentes do costume. A dica para os responsáveis é se aproximarem com uma conversa espontânea a fim de saber mais sobre o universo do jovem ou criança, como também, proporcionar outras atividades divertidas aos filhos. 
Outra questão importante é a imposição de regras e tempo para serem dispendidos com o mundo virtual e isto também está valendo para os próprios pais, pois assim surtirá mais efeito no filho. Estar em casa não quer dizer que estamos seguros! Portanto, zelar pela nossa família requer atenção e disponibilidade em querer estar juntos, basta oportunizar estes momentos.

Daniela Costa Baratela Pimenta 
Psicóloga clínica e judiciária