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O hexa é uma realidade

por Lucas Rossafa
03 de setembro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
O resultado foi o mesmo, mas a forma pela qual o placar foi construído contrapõe-se às apresentações anteriores da Seleção Brasileira. No triunfo por 2 a 0 sobre o Equador, pelas Eliminatórias Sul-Americanas, o torcedor viu um time lento, burocrático, com enormes dificuldades para furar a defesa adversária e que precisou do talento individual de um craque para dar novo rumo à partida.
Foi a nona vitória consecutiva sob comando de Tite, mas os primeiros 45 minutos foram os piores desde que o gaúcho assumiu o cargo. Mesmo com posse de bola esmagadora, a equipe pentacampeã mundial não teve concentração, tampouco a intensidade necessária para construir o placar sem tanto suor. Ao contrário do que se esperava, Neymar errou praticamente tudo o que tentou e ficou bem abaixo de seu nível habitual.
A falta de rapidez no setor de criação perdurou por quase 60 minutos. Renato Augusto, homem mais avanço do meio-campo, jogou mal, não conseguiu repetir o bom desempenho das últimas partidas e pouco apareceu no setor ofensivo. Além disso, os laterais também não agradaram. Daniel Alves esteve irreconhecível, errou passes curtos e pouco ajudou no ataque, enquanto Marcelo foi muito discreto. A falta de apoio dos alas foi fundamental para que o Equador encaixasse a marcação na defesa. Daí, o impasse para que a bola chegasse em condições de finalização.
A boa nova do jogo foi Phillippe Coutinho, uma das principais esperanças brasileiras. O armador do Liverpool entrou na etapa final e mudou o panorama do jogo. Com ele, o meio-campo brasileiro funcionou de uma maneira que Tite gosta, formando uma linha de três no ataque, ao lado de Willian e Neymar. É titular incontestável, sobretudo quando atua centralizado. Neste setor, tem talento puro para apresentar um futebol inteligente, direto e objetivo.
Se o passaporte para a Rússia já estava carimbado, o confronto diante do Equador serviu para mostrar que o Brasil ainda tem muito a melhorar. Se defensivamente o time demonstra muita consistência – dois gols sofridos em novos jogos, apesar de ter enfrentado alguns adversários frágeis –, o ataque preocupa. Mesmo com 37 bolas na rede, a equipe de Tite rala bastante para criar quando joga contra um oponente efetivo na defesa.
No entanto, não há dúvidas de que a Seleção é a principal força futebolística da América do Sul. Em 2018, os brasileiros iniciam o Mundial como um dos favoritos ao título, ao lado de França e Alemanha. O hexa é uma realidade e ela não pode ser distorcida pela falta de oportunidades a outros jogadores nos últimos compromissos pelas Eliminatórias. Até porque não custa lembrar que os “grupos fechados” com grande antecedência, como nas últimas três Copas, fizeram o Brasil fracassar.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)