segunda 21 setembro 2020
Editorial

O grande desafio

Se a pandemia de coronavirus não tivesse virado o mundo do avesso, os brasileiros estariam, neste momento, vivendo outra realidade e grande parte deles participando de acesas discussões em torno de preferências de candidatos a cargos eletivos em nível municipal —prefeito, vice-prefeito e vereadores.

Acontece que a Covid-19 mudou tudo. Descontadas as bravatas iniciais de quem chamava inicialmente o vírus de “gripezinha” e daqueles que preferiram optar pelo caminho da ignorância e do negacionismo, os seres humanos se deram conta de que estávamos diante de um inimigo invisível e traiçoeiro.

Em tempo relativamente curto, todos visualizaram o sinal vermelho e chegaram à óbvia conclusão de que a vida, depois do vírus, teria outra dimensão.

Vai daí, o calendário eleitoral foi atingido em cheio e, num primeiro momento, chegou-se a cogitar suspensão das eleições municipais marcadas para 4 de outubro, com a consequente prorrogação dos mandatos dos atuais ocupantes de cargos eletivos.

Apesar das pressões, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu a questão optando pelo caminho mais curto— adiamento do pleito, fixando a data de 15 de novembro para o primeiro turno e de 26 de novembro para o segundo.

Em face desta decisão do andar de cima, os partidos e respectivos pré-candidatos tiraram o pé do acelerador até porque seria um despropósito discutir eleição em meio a casos de contaminação, internação e morte.

O episódio emblemático desta mudança de rota se deu exatamente em Jales, onde o prefeito Flávio Prandi Franco (DEM), às voltas com o enfrentamento da pandemia, decidiu abrir mão da disputa pelo segundo mandato.

Mas, embora a Covid-19 continue enlutando diariamente famílias brasileiras, as eleições municipais irão acontecer no dia 15 de novembro, possivelmente sem o mesmo entusiasmo por parte dos eleitores ainda impactados pelo rastro de problemas decorrentes da pandemia.

Aliás, este será o grande desafio dos candidatos, hoje ainda na fase de aquecimento —injetar doses maciças de esperança em quem faz do isolamento social a arma de defesa da própria vida e que, paralelamente, tem que conviver com as as restrições impostas pelas autoridades.

Enfim, salvo improváveis decisões de última hora, começou a contagem regressiva especialmente para quem decidiu colocar seu nome na urna eletrônica. O prazo fatal expira dentro de uma semana.

Passado o período de registro e impugnação de candidaturas, caberá aos candidatos convencer os eleitores a comparecer aos locais de votação. Este, sem dúvida, será o grande desafio. 

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