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O drone e a diáspora

Perspectivas por Juarez Canato
11 de fevereiro de 2018
Juarez Canato
Com a entrega dos carnês do UPTU nos vários municípios, a população de cada cidade reagiu de forma diferente, a maioria com indignação.
Em Brunzundanga não houve reação negativa, já que a tramitação legislativa do projeto de lei obedeceu fielmente à Lei Orgânica do município.
Ao contrário de algumas poucas manifestações adversas, a maioria da população recebeu o carnê do IPTU com incontida alegria ao constatar que os imóveis valorizaram substancialmente, não obstante a decadência no mercado nacional imobiliário causada pela crise econômica que assola todos os segmentos da sociedade.
Há quem comenta que deitou pobre e levantou remediado, pois, em termos de patrimônio imobiliário, houve valorização significativa. 
Afinal, se tudo começou bem só poderia terminar bem, à exceção de algumas intercorrências insignificativas, e estas ficaram restritas aos produtores de hortaliças.
Isto porque o Drone captou imagem das estufas como se fosse edificação e o que era uma simples horta passou a ser uma espécie de condomínio horizontal, deixando os proprietários perplexos.
Contudo, tudo foi devidamente esclarecido e o tributo recalculado de acordo com a realidade de cada imóvel, afinal, os Drones não entendem de horta.
Mas não é só. Como é sabido de todos, faz parte da índole do brasileiro fazer chalaça até nos momentos de adversidade.
Em Brunzundanga não é diferente.
Os mais extrovertidos dizem que houve uma debandada dos joões-de-barro para outras cidades, isto porque, mesmo sabendo que são naturalmente isentos de IPTU, escafederam-se com medo os rasantes dos Drones, já que, para eles, dava a sensação de estar havendo uma invasão de aves de rapina.
Os biólogos e outros agentes ambientais estão tentando reintegrá-los às suas casas.
Todavia, há um osbstáculo quase instransponível, é que, após a revoada dos pedreiros da floresta, suas casas foram invadidas por outros pássaros, mais precisamente pelo MPST(Movimento dos Pardais Sem Teto).
A maioria da população entende que os pardais devem ser despejados, já que não fazem parte da fauna nacional.
Outros acham que devem ficar porque, como diria o indefectível Ministro Magri, do governo Fernando Collor, pardal também é “gente”.

 Juarez Canato
(é advogado em Jales)