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O brasileiro é racista?

Por Ayne Regina Gonçalves Salviano
14 de abril de 2019
Ayne Regina Gonçalves Salviano
“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele”. A frase do pastor norte-americano Martin Luther King, um dos ícones da resistência negra no mundo, soou instantaneamente nos meus ouvidos logo depois de assistir à reportagem sobre a morte do músico Edvaldo Rosa dos Santos, alvejado quando o carro que ele estava dirigindo com a família – inclusive um filho de 7 anos - recebeu mais de 80 tiros de fuzil de uma patrulha do Exército, no Rio de Janeiro. Edvaldo era negro.
A explicação oficial sobre o episódio é que os soldados confundiram o carro do músico com outro, de um suspeito de ter cometido um assalto na região horas antes. Movimentos pelas minorias e personalidades se manifestaram pela internet com postagens afirmando que o episódio foi mais um ato de racismo. Afinal, o brasileiro, fruto da miscigenação, é racista? 
Os especialistas afirmam que sim e explicam. É racista por herança do período de colonização europeia. O europeu se considerava superior e, por isso, escravizou os negros. O Brasil foi um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. Mas passados 130 anos, continuamos sem políticas públicas que insiram o negro na sociedade. 
As consequências da escravidão e do racismo podem ser representadas em números. Segundo o IBGE, 54% dos brasileiros são pretos ou pardos. A ONU afirma que essa população é a mais afetada pela desigualdade e violência. No mercado de trabalho, pretos e pardos enfrentam mais dificuldades na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral, informa o Ministério Público do Trabalho. A população negra também corresponde à maioria (78,9%) dos 10% dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios, segundo o Mapa da Violência 2017. 
A morte de Edvaldo precisa atingir todos nós. E Luther King volta a soprar nos meus ouvidos: “O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos”.

Ayne Salviano
(é jornalista, professora, mestre em Comunicação e Semiótica. É co-leader do Damásio Educacional Araçatuba)