sexta 05 junho 2020
Editorial

O apelo do bispo

O pronunciamento feito por D. Demétrio Valentini, dia 12 de agosto, no salão nobre da Prefeitura Municipal, por ocasião do retorno do prefeito Humberto Parini (PT), após seis dias sem mandato, não pode passar sem uma boa reflexão por parte da classe política e das próprias lideranças comunitárias.
Em primeiro lugar, porque D. Demétrio não é “só” o bispo diocesano de Jales, o que já seria bastante significativo eis que a diocese se estende por 44 municípios da região.
Além da representatividade regional, o  bispo tem prestígio em nível nacional e até internacional, com assento no Sínodo das Américas.
Ele foi o coordenador das pastorais sociais daConferência Nacional dos Bispos do Brasil durante quatro mandatos, é o atual presidente da Caritas Brasileira e é membro titular do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social da Presidência da República.
Logo, a palavra de um homem com este currículo tem peso e não pode entrar por um ouvido e sair pelo outro.
Relembremos o que disse o bispo, registro devidamente feito pelo Jornal de Jales: “eu manifesto a esperança de que se superem as circunstâncias que não convém para um convívio harmonioso de cidadãos que vivem no mesmo município”.
Mais à frente, Sua Excelência Reverendíssima foi ainda mais incisivo: “vamos todos arregaçar as mangas, vamos trabalhar para o bem do município, vamos ser solidários, vamos ser companheiros. São os meus votos neste momento altamente significativo da história política de nossa cidade. Vamos em frente, prefeito!”
Este verdadeiro apelo à serenidade vocalizado por D. Demétrio é,na verdade, o sentimento da grande maioria dos jalesenses, todos preocupados com os desdobramentos da dança das cadeiras.
Se a batalha judicial propriamente dita  já preocupa, o acirramento dos ânimos no terreno político, antecipando o clima de disputa  característico do ano eleitoral, em nada contribui para que a cidade encontre seu eixo.
Afinal,  as lideranças  de um município que teve cinco prefeitos entre 2001e 2004, dois deles perdendo a vida em pleno mandato,  não pode se dar ao luxo  de exaurir suas melhores energias em embates políticos de validade duvidosa.  
Desta forma, ao apelar para o desarmamento dos espíritos e chamar à responsabilidade todos os detentores de mandatos ou não, o bispo prestou relevante serviço  e mostrou porque, no âmbito da CNBB, ele é uma das vozes mais ouvidas e respeitadas do país.
Mas, como ensina o cristianismo, não basta ouvir o bispo. Há que se colocar em prática suas sugestões. 

Desenvolvido por Enzo Nagata