Arquibancada

O alto preço da displicência

O primeiro tempo foi bom, com volume de jogo e inúmeras chances desperdiçadas, mas na etapa final a altitude e a eficiência do Binacional pesaram, e o São Paulo foi derrotado por 2 a 1 pelos peruanos na estreia na Libertadores. Com o revés, o Tricolor fica em situação complicada no Grupo D e precisa ter postura diferente se quiser chegar às oitavas de final da competição.
A atuação da equipe no começo da partida chamou atenção, com muitas oportunidades criadas diante de um rival frágil, que dificilmente conseguirá sucesso em mais algum jogo nesta Libertadores. Porém os erros de finalização e a displicência continuaram aparecendo, e o time de Fernando Diniz pagou caro por isso.
Nos primeiros 45 minutos o São Paulo começou abrindo o placar, mas ao menos seis chances claras foram desperdiçadas por Pato, Antony e Pablo, sendo que o camisa 9 perdeu ao menos uma oportunidade absurda de ampliar o marcador. Não seria nenhuma ilusão o Tricolor ir para o intervalo vencendo por 4 a 0.
Desde o início do Campeonato Paulista, os erros em momentos decisivos não são novidades pelos lados do Morumbi, mas agora a realidade é diferente, é Libertadores, e se paga caro por tanta displicência em momentos importantes.
O próximo adversário do São Paulo é a LDU, e observando o cenário do grupo a situação é muito preocupante. Na primeira rodada, a equipe de Quito derrotou os reservas do River Plate por 3 a 0, em casa, e vai ao Morumbi na próxima quarta-feira em busca de pelo menos um empate.
Os argentinos vivem situação parecida com a do Tricolor, mas dominam o futebol sul-americano nos últimos anos, trazem um time com perfil vencedor e devem se recuperar com relativa tranquilidade nas próximas rodadas.
Para se classificar, resta ao São Paulo vencer no mínimo os três jogos que restam em casa e conseguir ao menos dois empates no campo dos adversários. Ou então chegar a quatro vitórias, cenário difícil de ser imaginado para quem vai enfrentar LDU na altitude equatoriana e o River, mesmo com portões fechados no Monumental de Nuñes.
O momento turbulento novamente está de volta ao São Paulo e a altitude não pode ser desculpa para a derrota em Juliaca. O mínimo que se espera de uma equipe com tantos jogadores de qualidade é eficiência para converter oportunidades em gols, se classificar para a próxima fase e evitar vexames como a derrota para um time com tantas deficiências como o Binacional.

Eduardo Martins 
 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 
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