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O ADEUS DA MÉDICA CUBANA EM SÃO FRANCISCO

Rafael Honorato (especial para o Jornal de Jales)
25 de novembro de 2018
Entre o prefeito Maurício Honório, a direita, e o ex-vereador Anderson Pimenta, a esquerda, a médica se emociona durante a cerimônia
“Vocês agora são minha família!”

A profissional, que já trabalhou também na Venezuela, criou um laço de afeto muito grande com todos os moradores da cidade e acabou se casando com jalesense  

Emoção é a palavra que resume como foi a cerimônia de homenagem para a médica Dania Yelises Gomes Cabrera na prefeitura de São Francisco na manhã da última quinta-feira, dia 22. Presente estavam moradores da cidade e funcionários municipais, que conviveram por mais de 2 anos com a médica cubana. Tiveram aqueles que deram uma de “durões” e não deixaram as lágrimas caírem, mas a maioria não conteve a emoção. 
Uma placa de homenagem foi entregue pelo prefeito Maurício Honório de Carvalho, em alusão aos serviços prestados a todos de São Francisco. O prefeito lembrou da dedicação da profissional durante o tempo em que esteve na cidade, e também da humildade da médica. “Ela ia na casa dos pacientes para atendê-los. Não tinha dia, hora, ela estava sempre pronta para atender quem precisasse”, ressaltou.

CHEGADA
Dania chegou em São Francisco em abril de 2016. Antes dela, uma outra profissional cubana já havia trabalhado na cidade, mas acabou se desligando do programa. Dania conta que nunca antes havia ouvido falar da região, mas que em Cuba eles são preparados para enfrentar qualquer desafio. 
Uma das principais dificuldades no início era a fala, pois até se adaptar totalmente ao novo idioma levou alguns meses. A médica lembra que no começo muitos que passavam por consultas na verdade só eram curiosos. “Eles vinham só para conhecer a nova médica cubana, saber se eu era parecida com a outra que já tinha passado”, contou. 
Mas ao passar dos meses, o afeto com os moradores foi aumentando, e hoje a médica já se sente de casa. Aliás, ela tem todo direito de se sentir assim, isso porque pouco tempo depois de iniciar os atendimentos, a profissional já era tão querida por todos que recebeu da Câmara Municipal o título de cidadã são francisquense.

DIFERENÇAS
Profissional experiente, com mais de 20 anos de atuação, Dania Cabrera além de Cuba, já atendeu também por 4 anos na Venezuela antes de fazer parte do programa brasileiro. Ela conta que a principal diferença percebida aqui, foi a quantidade de pacientes que tem depressão. “Eu atendi muitos pacientes aqui com quadros depressivos, que precisavam de uma atenção especial, remédios controlados. Nos outros locais que trabalhei isso não era tão comum assim”, falou a médica.

PARTIDA
A médica disse que sai de São Francisco com sentimento de dever cumprido. “Fico triste em ter que deixar a cidade, mas saio feliz por saber que uma médica cubana vai ficar marcada por aqui, com amor e carinho”, falou emocionada. 
Para os pacientes, ela diz que agradece a cada um pela confiança, amor e carinho com que foi recebida. “Vocês me fizeram sentir da família. Vocês agora são minha família! ”, falou a médica. 
Ela disse que ainda não tem data oficial para deixar o Brasil, mas acredita que o governo cubano deva enviar alguma notificação nos próximos dias avisando a data do embarque.

FUTURO
A médica não quis entrar em detalhes sobre a vida pessoal nem se pretende voltar para o Brasil. Mas as expectativas é que o quanto antes retorne. Isso porque durante a passagem pela região ela se casou com um morador de Jales, o técnico agrícola Artur Valério. Ele, aliás, estava presente na cerimônia de homenagem, e da primeira fileira acompanhou também emocionado todo o evento.

Com o fim do acordo entre os governos, os médicos cubanos que atendiam no Brasil já estão embarcando de volta ao país de origem. Aqui na região de Jales não é diferente, e muitos profissionais já deram adeus as cidades que trabalhavam.
Uma das situações mais graves está em Fernandópolis. Seis cubanos que atendiam na rede municipal exerceram as funções até a última quarta-feira, dia 21. Segundo a prefeitura, até que novos profissionais sejam enviados, pelo menos cinco postos de saúde ficarão sem atendimento médico. A orientação é que os moradores procurem a UPA da cidade.  Turmalina também tinha uma profissional cubana atendendo, que trabalhou até a última quarta-feira. No lugar dela, outra médica, concursada, vai suprir a demanda.
Estrela d’Oeste, Mira Estrela e Votuporanga também tem profissionais cubanos, e esses ainda estão atendendo. Entretanto, deverão paralisar nos próximos dias.