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Novos cenários

Por Ana Ligia Massuia
10 de março de 2019
Ana Ligia Massuia
Falta de experiência profissional, alta concorrência, a difícil introdução ao mercado de trabalho, o bom relacionamento, diversos desafios enfrentados que não são assimilados na faculdade e, como consequência, acarretam em dificuldade financeira.
Essas são apenas algumas das diversas questões enfrentadas pelos jovens advogados que pretendem, de fato, seguir suas respectivas carreiras na advocacia.
Atualmente, as faculdades de Direito preparam cada vez mais os jovens durante o curso, proporcionando novas técnicas de ensino, compreensão e fixação eficazes de conteúdo, buscando a aprovação dos alunos no “temido” Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, assim como em concursos públicos.
Mesmo assim, após a conclusão da faculdade, o início da carreira na advocacia é extremamente complexo, cheio de novidades e situações práticas que não são ensinadas e acabam por trazer grandes surpresas, como, por exemplo, a estruturação de um escritório, como estipular a cobrança pelos serviços prestados, a tributação na advocacia e como agir nas mais diversas situações, nas quais não é possível uma consulta rápida nas legislações ou doutrinas.
Além disso, o mercado de trabalho apenas será conhecido pelo estudante de Direito quando, de fato, ele ingressar na advocacia. Por isso, de antemão, é muito importante conhecer as sociedades de advogados, como funcionam as estruturas dos pequenos e grandes escritórios e, principalmente, conhecer as prerrogativas e direitos do Advogado.
Deve-se ter a atenção de que o desconhecimento do Estatuto da OAB e também do Código de Ética e Disciplina pode levar os jovens advogados a cometerem infrações sérias e prejudicar gravemente o início de carreira.
Porém, nesse início da carreira, o principal ponto é o seguinte: não se desesperar! As dúvidas e as dificuldades do início são circunstâncias absolutamente normais, enfrentadas por todos os profissionais em algum momento.
Por isso, a troca de experiências, o incentivo pelos próprios colegas de carreira, o compartilhamento de conhecimentos e informações, e o aprimoramento profissional dos direitos e prerrogativas, ajuda não só os jovens, mas promove a união e valorização da classe como um todo.
A formação do grande compromisso em assumir os litígios, demandas judiciais e as responsabilidades do início da carreira na advocacia são impactantes, e, obviamente, os receios são compreensíveis. A carreira é extremamente árdua e os estudos serão “eternos”, já que o ordenamento jurídico é atualizado quase que diariamente.
Por isso, é necessária a construção de uma organização interna, a fim de que o jovem advogado busque semanalmente a atualização, seja por meio da leitura dos informativos dos Tribunais Pátrios, da letra da lei, das respectivas doutrinas ou de artigos com conteúdos “práticos” da advocacia.
Cumpre ressaltar que a atualidade “virtual” exige dos novos advogados não mais um conhecimento básico de informática, mas sim um aprofundamento técnico da utilização de ferramentas e sites de busca, já que a grande maioria dos tribunais implantaram a tramitação eletrônica dos processos, devendo se ter em mente, portanto, que o trabalho virtual já é uma realidade.
O mais importante, contudo, é nunca esquecer que a advocacia é uma profissão extremamente honrosa, a qual proporciona a valiosa luta pelos direitos, o maior instrumento para a administração da justiça, o que exige dos profissionais o amor à profissão.
Portanto, aos jovens advogados que se encontram diante das dificuldades do início: desistir não está em pauta.
É necessário perseverar e fazer das dificuldades enfrentadas as oportunidades de crescimento e, principalmente, de ganho de experiência na carreira.
Assim, o jovem advogado deve relembrar, diariamente, o que foi jurado no dia tão especial de entrega da carteira da OAB:
“Prometo exercer a advocacia com dignidade e independência, observar a ética, os deveres e prerrogativas profissionais e defender a Constituição, a ordem jurídica do Estado Democrático, os direitos humanos, a justiça social, a boa aplicação das leis, a rápida administração da justiça e o aperfeiçoamento da cultura e das instituições jurídicas.”
Portanto, jovens advogados: sejam bem-vindos. A dificuldade é para muitos, mas o nosso auxílio será para todos!
A Comissão da Jovem Advocacia de Jales buscará, a partir de agora, integrar os jovens advogados, proporcionando a discussão das dificuldades mais comuns, a orientação em determinadas situações, o compartilhamento de conhecimentos e a troca das experiências já vivenciadas, a fim de auxiliar as dúvidas frequentes que emergem no início do exercício da advocacia.
Salientamos: juntos sempre seremos mais fortes.

Ana Ligia Massuia
(advogada e integrante da CJA – Jales-SP)