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Nó na Justiça Federal

Editorial
12 de maio de 2019
Os antigos ensinam que “jabuti não sobe em árvore. Se está lá, alguém pôs”. Esta frase vem à cabeça como forma de explicar que a Vara da Justiça Federal não foi instalada em Jales, uma cidade de 50 mil habitantes, por obra do acaso como num passe de mágica. Ao contrário, custou muito suor.
O ano era 2001. Eleito no ano anterior, José Carlos Guisso (PSDB) assumiu a Prefeitura tentando virar a cidade do avesso. Entre a eleição e a posse, ele já tinha reconstruído pontes com seus adversários políticos e, ao mesmo tempo, estabelecido diálogo com as chamadas forças vivas e atuantes da cidade, segmento que depois passou a ser identificado como Fórum da Cidadania, integrado por entidades de classe, clubes de serviço, associações profissionais e instituições filosóficas.
Guisso, em lua de mel com a chamada sociedade civil organizada e com a classe política, começou o segundo mandato (já tinha sido prefeito entre 1993 e 1996), acelerando na descida. 
Foi quando alguém sugeriu ao prefeito que colocasse como reivindicação prioritária a instalação da Justiça Federal em Jales. Não faltou quem qualificasse a demanda de maluquice, pois instâncias semelhantes só havia, como até hoje, apenas em São José do Rio Preto e Araçatuba.
Mas, apoiado maciçamente, o prefeito liderou uma grande mobilização comunitária local e regional, usando como argumento o fato de que a Vara a ser instalada não serviria somente a Jales, mas a outros 42 municípios, os mesmos que compunham a diocese de Jales.
Além de competentes, políticos, tanto quanto os goleiros, precisam ter um pouco de sorte e isto sobrou a Guisso, pois o titular da Ministério da Justiça na época era um deputado muito bem votado em Jales e com vínculos afetivos com a cidade como proprietário rural em Pontalinda — Aloysio Nunes Ferreira Filho. 
Depois do sinal verde de Brasília, o obstáculo era achar o local para instalar a Vara Federal. Foi quando alguém que se lembrou que o piso superior do prédio do Banco do Brasil estava ocioso após o processo de enxugamento feito em nível nacional.
Adaptar o prédio de acordo com as exigências da cúpula da Justiça Federal foi outro parto. Mas, prevaleceu o esforço comum das lideranças políticas e comunitárias, o que redundou em noite de gala na inauguração da Vara Federal de Jales, trazendo em seu bojo, pouco tempo depois, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. 
Pois bem, agora chegou a hora de iniciar outra luta — conquistar mais uma Vara, como sugeriu o procurador da República, José Rubens Plates, revelando dados alarmantes segundo os quais existem mais de 8 mil processos em tramitação na Justiça Federal de Jales e outros mil já conclusos, aguardando julgamento.
Desatar este nó é humanamente impossível para só um juiz, como é o caso. Vai daí, é preciso lutar por mais uma Vara, com outro juiz e a respectiva estrutura.
Impossível? Claro que não. Se todos se juntarem como aconteceu em 2001, a Segunda Vara Federal será realidade. Mãos à obra!