Perspectivas

No mundo das “pirralhas”

A prestigiada revista norte-americana “Time” elegeu, na semana que passou, a ativista ambiental Greta Thunberg como a “Personalidade do Ano” de 2019.

Greta é uma adolescente sueca, de 16 anos, portadora da Síndrome de Asperger (do espectro autista), que ficou internacionalmente famosa após mobilizar milhões de jovens no mundo inteiro por meio do movimento Fridays for Future, que luta contra o aquecimento global.

Ela também ganhou a confiança do Papa Francisco (que a aconselhou a continuar a sua luta) e de diversos líderes políticos importantes. Só não ganhou a simpatia de Donald Trump, a quem ela ataca sistematicamente devido aquele país ser o maior poluidor do mundo, nem do presidente brasileiro, que recentemente a chamou de “pirralha” depois de Greta se manifestar contra a morte de índios no Brasil.

         Desde 1927 a “Time” elege uma ou mais personalidades todos os anos. Mas essa é a primeira vez que uma pessoa tão jovem ganha o reconhecimento. Na capa da revista, a ativista aparece de pé em um rochedo bem perto do mar e a legenda é “o poder dos jovens”.

                   Sim, há tempos temos pessoas cada vez mais jovens conquistando espaços importantes no mundo. Antes de Greta, outra mulher, a paquistanesa Malala Yousafzai, também com 16 anos na época, ganhou o Prêmio Nobel da Paz, em 2014, depois de sobreviver a um atentado a tiros no seu país, onde o grupo extremista Talebã proibia as mulheres de estudar. Malala sobreviveu e hoje luta pela educação de todas as mulheres no mundo.

         No Brasil, “pirralhas” estão mudando o cenário e o discurso político nas câmaras estaduais e federais. Quem não se lembra da deputada federal Tábata Amaral, 26 anos, cientista política formada pela famosa Universidade de Harvard, nos Estados Unidos e a quarta candidata mais votadas em 2018, confrontando o então ministro da Educação, Ricardo Vélez? Alguns comentaristas políticos atribuem à deputada a demissão do ministro por incompetência.

         É preciso apoiar esses jovens com boas ideias. Eles precisam ter uma causa, uma razão, um motivo para lutar. É preciso ouvi-los e aprender com eles. Mas, especialmente, é fundamental que ajudemos os mais novos nas conquistas dos seus sonhos. Caso contrário, continuaremos a ver a taxa de mortalidade crescer na faixa etária entre 12 e 20 anos, algo inimaginável anos atrás, mas que se transformou em um fantasma que assombra a sociedade hoje.


Ayne Regina Gonçalves Salviano
(É jornalista e professora. Gestora do Damásio Educacional em Araçatuba e do Criar Redação Araçatuba)
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