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NILTON SUETUGO:

“A situação do asfalto é muito pior do que eu imaginava”
09 de janeiro de 2017
Secretário Niltom Suetugo: “A situação do asfalto é crítica, mas o problema ambiental é mais importante“
Secretário de Planejamento propõe georreferenciamento para atualização dos cadastros dos imóveis
O novo secretário municipal de Planejamento, engenheiro civil Nilton Suetugo, não tem dúvida: enxugar despesas só, não resolve. É preciso muita criatividade, buscando alternativas e formas de aumentar a arrecadação, criando reservas para enfrentar a crise, mesmo com medidas que possam parecer antipáticas. Muitos problemas estruturais, segundo o secretário, são consequência dessa desestruturação da arrecadação. 
Ele afirma que parte do desgaste do asfalto deve ser resolvida logo, mas a situação é muito mais grave do que esperava encontrar, antes de assumir o cargo, o que vai exigir um tempo bem maior do que havia imaginado, para que o problema seja totalmente resolvido. A dívida para com a previdência municipal também preocupa, mas o secretário afirma que a questão ambiental precisa ser priorizada. Na sua avaliação, o problema que envolve o aterro sanitário, o antigo lixão, a coleta seletiva e a coleta e processamento dos resíduos das construções é mais importante que o do recapeamento. (L.R.)

JJ - O senhor tem insistido na necessidade de um novo modelo de gestão. O que isso mudaria em relação ao que vem sendo feito?
Nilton– A situação mudou muito em função da crise que atinge o país. Hoje você tem que ter uma administração com muita gestão, com uma metodologia diferente da que era praticada anteriormente. Um exemplo bem típico é a nova administração que o governador  Geraldo Alckmin implantou no Estado. A imprensa informa que ele tem no caixa, sempre, R$ 10 bilhões para fazer as articulações, mas no ano passado a luz vermelha acendeu quando esse valor chegou a R$ 4 bilhões. A metodologia que discutimos com o Flá e o Garça, que já vem sendo praticada com sucesso em outros municípios, é fazer uma administração enxuta em todos os sentidos, tanto administrativamente quanto financeiramente, com muita criatividade, buscando opções para passar esse momento de crise e começar a aumentar a arrecadação. Nós temos graves problemas estruturais oriundos dessa dificuldade de arrecadação.

J.J. – Como aumentar a arrecadação?
Nilton – Uma das questões envolveria um projeto de georreferenciamento para atualização dos cadastros das edificações, com um levantamento global da área urbana, atualizando edificações como algumas que estão cadastradas como tendo 30 ou 40 metros quadrados, mas que na verdade tem 300 metros quadrados ou mais. O proprietário está pagando pelos 30 e não pelos 300. Isso não significa aumento, mas sim fazer justiça em relação àqueles que já pagam um tributo correto. Isso era feito manualmente até cerca de 25 anos atrás, mas a cidade cresceu e a situação acabou fugindo do controle que precisa ser retomado. Isso precisa ser revertido em benefícios para a população que tem reclamado muito em relação a vários problemas, onde se destaca o asfalto. Eu considerei que a situação estava bastante grave, mas quando fui ver de perto, percebi que era muito pior do que imaginava. Mas nós vamos enfrentar e eu acredito muito no processo administrativo que o Flá e o Garça vão implantar a partir de agora. É por isso que aceitei colaborar, só que vamos precisar de mais tempo.

J.J. – Quando o problema dos buracos vai ser resolvido?
Nilton –Eu acreditava que o problema poderia ser resolvido em um ano e meio, mas acredito que vamos precisar dos quatro anos da administração para que tudo fique estruturado. O básico vamos fazer logo, já equacionamos alguns problemas no convênio de R$ 4 milhões que tiveram duas impugnações no edital. Esse processo vai ser aberto em fevereiro e eu acredito que já no início de março a obra poderá ser realizada, embora ainda exista o risco de nova impugnação. O volume de dinheiro é grande e as empresas sempre procuram alguma brecha para barrar o processo, mas eu não acredito que isso volte a acontecer. Existem ainda R$ 1,5 milhão de emendas parlamentares já liberadas e pouco mais de R$ 500 mil de sobras de dois convênios. Só que isso somado representa apenas 20% do necessário para resolver todo o problema do asfalto da cidade. Esses recursos já disponíveis deverão contemplar as principais vias e alguns bairros que estão com as ruas mais danificadas. Ao mesmo tempo, vamos adquirir logo mais material para o serviço de tapa-buraco.

J.J. – O senhor coloca o problema do lixo como mais importante que o do asfalto. 
Nilton –Eu tenho uma visão bastante técnica em relação às necessidades do município. Eu tenho como prioridade a questão do saneamento. A situação é tão crítica que acabou resultando em uma Ação Civil Pública contra a Prefeitura com uma multa de R$ 500 mil, mais uma multa diária. Eu já tinha feito uma documentação, para a administração anterior, justificando para a justiça o que precisa ser feito, em função das dificuldades financeiras do momento. Foram determinados alguns prazos para ações que já começam a ser cumpridas. 

J.J. – São vários problemas nessa área.
Nilton – Sim, um deles é o antigo lixão que não foi encerrado adequadamente e para isso são necessários R$ 2 milhões. Existe inclusive o risco de ter que ser retirado todo o lixo ali depositado para ser colocado em outro local, aumentando ainda mais as despesas. Em relação ao aterro sanitário, a Prefeitura conseguiu prorrogar o prazo e  formalizou um convênio que já vem sendo executado com o Fehidro para implantação de uma nova célula, seguindo todas as exigências da Cetesb. Outro problema são os resíduos da construção civil que é muito grave. Não existe controle e esse material está sendo depositado a céu aberto. Eu penso terceirizar ou passar esse serviço para a iniciativa privada porque a Prefeitura não tem condições de tratar esse material. A coleta seletiva está avançando, mas precisa ser melhorada e mais estruturada, para reduzir ainda mais o material depositado no aterro sanitário. Também deveremos implantar logo os eco pontos. 

J.J. – Quando se fala em aterro sanitário logo se levanta a questão do aeroporto. Como essa situação deverá ser administrada?  
Nilton –Ainda não falei com o Flá, mas acredito que a questão do aeroporto se resolve com a remoção daquele local. É uma área nobre que se fosse vendida daria para se fazer outro aeroporto, em local mais adequado e com mais segurança. Jales é referência e precisa de um aeroporto adequado e isso não pode ser feito naquele local. Esse estudo já foi iniciado e nós vamos dar prosseguimento.

J.J. – Isso quer dizer que é preciso fazer caixa para poder gastar?
Nilton – É isso, junto com um controle mais eficaz dos gastospúblicos, inclusive com várias concentrações, como em licitações e no almoxarifado. É preciso sobrar recursos, pois existem outros problemas graves que precisam ser enfrentados, como o da dívida para com a previdência municipal. É uma postura administrativa que pode não agradar, mas tem que ser tomada porque não existe outra saída. É preciso dar um rumo para a cidade e daqui a quatro anos entregar a administração em condições muito melhores do que nós recebemos. Apesar dessas dificuldades, Jales continua com um potencial muito grande no comércio. Jales é referência em um raio de até 100 quilômetros, como pude constatar recentemente quando visitei alguns amigos em Ilha Solteira que sempre vem comprar aqui. Eles disseram que aqui encontram uma grande variedade de produtos e a preços menores do que em outros locais. O comércio e a prestação de serviços é o que sustenta a nossa arrecadação de ICMS e isso tem que ser mantido.Uma das formas da Prefeitura contribuir para incentivar o comércio e a prestação de serviços é melhorando a infraestrutura da cidade e isso nós vamos fazer. Jales também é referência no setor de saúde, com a Santa Casa e o Hospital de Câncer e nós vamos procurar colaborar para que essas instituições continuem se expandindo e contribuindo para com o nosso desenvolvimento.