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Neymar é do P$G

por Lucas Rossafa
06 de agosto de 2017
Lucas Colombo Rossafa
A novela envolvendo Barcelona, Neymar e Paris Saint Germain, enfim, chegou ao seu capítulo final. O atacante, negociado por R$ 821 milhões, equivalente à maior transação da história do futebol mundial, tem em seus pés a principal missão da carreira, cujo intuito é elevar o patamar dos franceses no cenário internacional.
Antes de qualquer análise futebolística, é necessário ter em mente que o brasileiro é uma empresa e não apenas uma pessoa. O atleta é assalariado desde os 12 anos, quando assinou seu primeiro contrato profissional com o Santos. Quatro anos mais tarde, passou a receber cerca de R$ 20 mil/mês, mais do que 99% da população local. Assim, a história dele já é diferente da maioria dos jogadores do país, uma vez que a fase de vacas magras foi bem curta.
Desta forma, fica mais fácil compreender a sua saída da Espanha. Devemos analisá-lo como um empreendimento, cujo talento é a principal fonte de renda de um grupo que movimenta – e embolsa – milhões. E obter lucro é a principal finalidade dessa instituição capitalista. Além disso, ele é sinônimo de superávit na área do marketing. Logo, qualquer decisão que possa modificar o futuro de sua carreira passa por uma conveniência desses gestores.
A vida em Paris traz à rotina de Neymar uma nova série de responsabilidades. Prestes a completar 47 anos, o PSG ainda não tem tanta história – e títulos – como se pensa. Trata-se de um clube emergente e de um futebol de segundo escalão na Europa, haja vista o mediano nível técnico, se comparado com as principais ligas do Velho Continente. Com cofres cada vez mais cheios, os franceses vêm tentando marcar o seu nome no mapa e, para tanto, precisam de uma estrela que mude de status.
A idolatria dos parisienses por brasileiros tem explicação. Afinal, o único título internacional foi com Raí como protagonista, na conquista da Recopa Europeia em 1996. Com Neymar como principal nome do time, as chances de conquistar a Champions League pela primeira vez tornam-se mais prováveis. Entretanto, ainda não deve ser suficiente para poder competir com as potências europeias, já que este projeto está na fase embrionária – o clube foi comprado pelos árabes em 2011. Aguardamos com ansiedade para saber qual será o comportamento do atacante como líder técnico de um plano gigantesco e bilionário.
É evidente que há uma pressão para que o brasileiro fature o prêmio de melhor jogador do mundo. Todavia, tal fato não pode ser objetivo, mas sim uma consequência do trabalho. A transferência, neste sentido, pode ser positiva. A escolha do ex-santista como ator principal proporciona condições mais favoráveis para alcançar o topo. Essa conquista passa, em um primeiro momento, pelo título da Seleção na Copa do Mundo de 2018.
E pra não dizer que não falei das flores, o craque e seus assessores erram novamente em uma negociação. Assim como foi com o Santos em 2013, sai do Barcelona deixando as portas praticamente fechadas e um clima bem desagradável perante os torcedores. Deixar um clube sem elegância e transparência é um pecado monstruoso para um jogador tão genial dentro das quatro linhas.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)