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Nenhuma atividade cresce mais do que a de cuidador de idoso

por Luiz Ramires
17 de fevereiro de 2019
Márcia: “cuidar de pessoas idosas é um trabalho que me dá muito prazer”
Márcia Gimenez da Silva, de 44 anos, casada, mora em Santa Albertina e exerce várias atividades para ajudar na renda familiar, mas tem uma que ela gosta mais e que rapidamente se transformou na profissão que mais cresce no país: cuidar de idosos.
Ela também trabalha em Jales, onde sabe que existem muitos desses profissionais, mas nos últimos tempos tem atendido mais pessoas da sua cidade, onde a demanda por esse trabalho também é grande.
A profissão ainda precisa ser regulamentada, mas isso ainda está em estudo, pois como Márcia explica, tem muita gente trabalhando sob as mais variadas formas de contratação. Existem aquelas famílias que contratam por mês, por dia, por hora e até para alguns serviços específicos, como dar banhos, por exemplo. 

CONTRATAÇÕES
Às vezes o profissional é contratado até para cuidar de casais e há famílias que contratam até três cuidadores que se revezam em turnos diários. Há ainda as contratações anuais como quando Márcia trabalhou durante três anos cuidando de uma senhora, até ela falecer. Ela já morou por quatro meses com uma senhora que depois continuou atendendo, dando apoio. Também já morou em um sítio, para ajudar outra senhora.
Márcia explica que todas são senhoras porque normalmente as mulheres cuidam de mulheres e os homens de homens, sendo que a maioria das contratações é para cuidar de mulheres.
Como há várias formas de prestação desse serviço, os valores cobrados também variam muito. O pagamento pode ser mensal, diário, por hora ou avulso. Depende também de cada caso. Às vezes o cuidador acaba cobrando menos para atender alguém mais necessitado mas que tem poucos recursos financeiros para pagar o que seria cobrado normalmente.
Comparando com outras atividades, Márcia garante que cuidar de idosos não é um trabalho difícil e há poucos incômodos ou inconvenientes. Uma dessas situações é quando a família procura interferir no trabalho, mas isso raramente acontece.

Uma nova profissão em alta

A profissão de cuidador de idoso foi a que mais cresceu na última década, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, em comparação a 2.600 ocupações pesquisadas. Os números oficiais saltaram de 5.263, em 2007 para 34.051, em 2017 (um crescimento de 547%), mas sabe-se que é infinitamente maior o número de cuidadores não registrados oficialmente, pois o ministério não considera os trabalhadores informais que são a grande maioria.
Esse crescimento se deve, segundo o ministério, ao envelhecimento da população, pois os brasileiros estão vivendo mais. Ao mesmo tempo, a  redução do tamanho das famílias também reflete na procura por cuidadores, pois muitas vezes seu integrantes não conseguem fazer esses serviços, além de não terem a experiência adequada para essa atividade que como o nome diz, exige muita atenção e cuidados específicos, para um bom atendimento.
A profissão ainda não é regulamentada, mas um projeto que tramita na Câmara Federal trata não só de cuidadores de idosos, como de crianças e pessoas com deficiência ou doenças raras. Outro projeto está no Senado, para determinar quais as atribuições desse profissional. (Luiz Ramires)