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Não somos imortais

Por Carol Guzzo
10 de novembro de 2019
Caroline Guzzo
Muitas vezes vivemos como se nunca fôssemos morrer, ou acreditamos que o perigo nunca está perto da gente. Temos uma única vida e parece ser óbvio que precisamos valorizá-la e amá-la. Lição que tirei em uma viagem de cinco dias em Capitólio/MG, quando me deparei com diversas histórias e uma cena que nem trabalhando há três anos em hospital tinha visto. 
A maioria das cachoeiras em Capitólio fica distante, é preciso pegar rodovia para tudo. Estávamos a caminho de Paraíso Perdido, um lugar bem lindo, cheio de cachoeiras e muita adrenalina. Mas, no caminho nos deparamos com vários motociclistas. 
Acredito ter visto pelo menos uns oito, com aquelas motos enormes, mas o detalhe é que, estavam todos em altíssima velocidade, fazendo ultrapassagens em lugares não permitidos. A estrada possui inúmeras curvas, todas bem perigosas, é preciso atenção para qualquer condução. 
Minutos depois, a cena que não queríamos nos deparar: o acidente. O motociclista bateu na proteção da rodovia, aquela mureta de metal, pela velocidade que estava ele deveria ter sido arremessado para muito longe, mas ele bateu seu corpo naquele ferro e ainda arrancou uma placa, que indica uma curva fechada, paramos em seguida, não vimos o acidente, mas tinha acabado de acontecer. 
Descemos do carro, ajudamos o pessoal que estava ligando para a ambulância na localização do acidente. Em seguida fui vê-lo, o amigo do motociclista tirou o capacete que ele usava, roupas adequadas, não havia sangue, mas de acordo com os caras que ali estavam sua cabeça parecia bem inchada e suas pernas estavam quebradas, ele gemia muito. Por um instante, agachei-me na beira da rodovia e olhei bem para seus olhos, ele gemia de dor e correspondeu ao meu olhar, naquele momento achei que ele sairia dessa bem. Estou aqui relatando e ouvindo os seus gemidos. 
Emerson, era seu nome, ele reclamava, queria levantar, mas não deixamos, afinal, não sabíamos onde ele realmente havia quebrado. Esperamos o resgate chegar e perguntei a um de seus amigos se precisava de mais alguma coisa, ele respondeu que não, só me disse que, em menos de um ano, foi o segundo acidente dele com a mesma moto, e relatou que ele acelerou na curva. Seguimos o nosso destino, mas eu fiquei arrasada, rezamos. 
Mas, no fim do dia, não aconteceu o que gostaríamos. Meu marido procurou na internet e a triste notícia “Formiguense morre em acidente na MG-050”. Um jovem de 39 anos, caminhoneiro, pelas fotos das redes sociais, ele parecia ser pai. Lembro-me do adesivo de um extraterreste estampado no tanque da moto. Fiquei muito triste e abalada. Fiz uma reflexão simples, mas bem pertinente. Nunca saímos de casa para morrer, mas muitas vezes esquecemos dos perigos que nos rodeiam e abusamos. 
Muitos dos acidentes que vemos é por falta de prudência, amor à vida. Estamos rodando pelas estradas há quase 10 dias e nesses mais de 2 mil quilômetros o que vejo nas rodovias é a falta de paciência, o querer chegar logo. É melhor você demorar 10 minutos do seu percurso do que sair correndo. 
Não entendo porque temos que ler placas “respeite a sinalização”, “não corra, não mate, não morra”, isso é óbvio! Se existe o limite de velocidade, as faixas no chão, porque fazer diferente? Tem que escrever para o ser humano lembrar que é preciso respeitar? Sei que todos nós partiremos um dia, mas que seja de maneira natural, por isso, precisamos respeitar e amar o próximo, evitando acidentes. 
Outro absurdo foi ter que criar uma lei para ensinar as pessoas que beber e dirigir não combinam. Você não sabia disso? Lembre-se, somos mortais.

Caroline Guzzo
MTb 71628/SP
(Jornalista jalesense radicada em Uberlândia)