sexta 05 junho 2020
Arquibancada

Não é hora do retorno

Preocupação e susto são os sentimentos da diretoria do Flamengo após testar 293 funcionários para o novo coronavírus e 38 apresentarem casos positivos. A porcentagem de 13% de infectados assusta e prova que ainda não é o momento de a bola voltar a rolar em território nacional.

Na Alemanha, primeiro grande centro a confirmar o retorno do futebol, o cenário é bem diferente e sequer pode ser comparado com o Brasil. Por lá, 1.700 testes foram realizados em atletas de 36 clubes das duas primeiras divisões do país. Dez amostras foram positivas, com porcentagem de 0,005%, e o Campeonato Alemão retorna no próximo dia 16 de maio com portões fechados.

O contraste entre Brasil e Alemanha se torna ainda maior quando são analisados os números de mortes e a curva da Covid-19 nas duas nações. No território europeu, são 7.392 óbitos em curva descendente que a cada dia perde mais força. Já em solo brasileiro, a curva é ascendente, não para de crescer e são 9.190 mortes confirmadas. Os dados coletados são oficiais e referentes até a última quinta-feira (7).

Apesar da situação desesperadora que vive o Brasil, Grêmio e Internacional foram os primeiros clubes da Série A que voltaram a treinar de forma presencial nesta última semana. Em ambas situações, todos os funcionários também foram submetidos a testes da Covid-19 e os resultados foram diferentes.

No Colorado, nenhum caso positivo e todos os atletas, neste momento, parecem estarem livres da doença. No Tricolor, o cenário já é mais preocupante e três funcionários, incluindo o atacante Diego Souza, apresentaram testes positivos. Apesar da preocupação, o camisa 29 cumpre quarentena no Rio de Janeiro e não teve contato com o elenco. Os outros dois funcionários foram testados no CT Luiz Carvalho e encaminhados para permanecer em isolamento com acompanhamento do departamento médico do clube.

Esse cenário deixa evidente que ainda é distante o retorno do futebol no Brasil durante a pandemia e o mais importante, neste momento, é a saúde dos atletas e de toda a população. A paciência precisa ser a palavra-chave para, daqui um mês, talvez termos a bola rolando novamente nos estádios espalhados pelo país em uma temporada que infelizmente já está comprometida pela Covid-19.

Eduardo Martins

 (jalesense, aluno do 4° ano de jornalismo da PUC-Campinas) 

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