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Não deu para entender

Editorial
09 de junho de 2019
Filho de um escocês com uma brasileira de ascendência inglesa, Charles Miller é considerado o introdutor do futebol no Brasil. Por conta disso, seu nome ficou perpetuado na praça localizada em frente ao Estádio do Pacaembu, em São Paulo. 
Diz a lenda que, ao voltar da Europa onde estudou, Miller, que tinha 20 anos, trouxe na bagagem duas bolas de futebol, um livro de regras, uniformes e chuteiras. Começou então a difundir o futebol entre os trabalhadores da estrada de ferro onde trabalhava, a São Paulo Railway Company, posteriormente chamada de Santos-Jundiaí, e depois a organizar competições de futebol em São Paulo.
Daí porque os comentaristas das antigas ainda hoje chamam o futebol de “esporte bretão”, referência à Grã-Bretanha. E, a partir do golpe militar de 64, os simpatizantes do regime, especialmente depois da conquista do tricampeonato mundial, em 1970, passaram a denominar a seleção brasileira de “pátria de chuteiras”.
Pois bem, dentre tantos legados do futebol brasileiro na linha do tempo, um dos maiores é a crença segundo a qual “time que está ganhando não muda”.
Aos poucos, esta máxima do futebol foi transplantada para outros campos de atividade, inclusive para a administração pública, até como forma de preservação das boas ações implantadas aqui e acolá. 
Todo este introito tem o objetivo de afirmar que, salvo melhor juízo, a Secretaria Estadual de Educação, pelo menos em relação à região de Jales, acaba de rasgar o livro de regras não escritas do futebol.
Na edição de 4ª feira, dia 5 de junho, o jornal Folha de S. Paulo publicou em manchete na página B-4: “SP exonera 26 dirigentes de ensino depois de entrevista de emprego”. E no subtítulo: “Estado quer gestão próxima à do setor privado; substitutos não virão por indicação, diz secretário”.
Até aí, tudo bem. A surpresa foi que, estupefatos, todos os que acompanham o trabalho desenvolvido na Diretoria Regional de Ensino de Jales ficaram sabendo que, entre os 26 dirigentes exonerados estava Marlene Medaglia Cavalheiro Jacomassi. 
A estranheza foi maior ainda porque, segundo a matéria da Folha, “dos 91 gestores atuais, 26 não preencheram os requisitos do novo sistema de seleção para cargos de chefia, chamados de Líderes Públicos”, após os dirigentes apresentarem seus planos de trabalho elaborados a pedido da secretaria e depois passarem por uma espécie de “entrevista de emprego”, que avaliou competências, entre elas o perfil de liderança.
Ora, fica difícil entender como uma educadora como Marlene, que passou por salas de aula, foi galgando degraus pela meritocracia, chegou ao topo da carreira como supervisora de ensino e, nos últimos 12 anos, como dirigente, fez crescer uma estrutura com 33 escolas em 25 municípios, 12 mil alunos e 1.000 professores só na rede estadual, tenha sido “reprovada”.
Os números falam mais que as palavras. Só para ficar nos dois últimos anos, no IDESP, avaliação de desempenho das escolas paulistas, a Diretoria de Jales cresceu de 2017 para 2018 em todas as faixas —Anos Iniciais, Anos Finais e Médio.
Ora, com uma dirigente com esse currículo, o mínimo que se pode comentar é que, os avaliadores escalados para a escolha dos Líderes Públicos na Secretaria Estadual de Educação não entendem nada de futebol. Mudar time que está ganhando? Não deu para entender.

O Editorial reflete a opinião deste jornal