domingo 17 outubro 2021
Editorial

Não dá para relaxar!

Após um bate-cabeça inicial, com direito a filas quilométricas e muitas reclamações por parte dos idosos que eram obrigados a ficar horas a fio esperando chegar a sua vez, a campanha de vacinação contra a Covid-19 em Jales é, hoje, exemplo de eficiência não somente em termos regionais, mas, à luz das comparações, inclusive em nível estadual.

Até mesmo as mil doses de vacinas que se perderam por conta de pane elétrica em refrigerador, tema, na época, de ácidas críticas em todos os setores, da tribuna da Câmara Municipal aos botecos de pontas de vilas, foram recuperadas, mostrando que aquele episódio se deveu a um acidente de percurso.

Muito mais avançada do que a maioria dos municípios da região, a campanha de vacinação em Jales chegou aos jovens de 18 anos na pole-position e logo atingirá adolescentes.

Até o momento em que redigíamos este comentário, 37.681 jalesenses (76,6%) tinham recebido a primeira dose, enquanto os que tomaram a segunda dose somaram 17.277 (35,1%).

Em resumo, o processo de vacinação tem sido mais uma prova cabal de que, quando a voz de comando é de gente do ramo, com experiência acumulada no serviço público, o andar da carruagem não apresenta solavancos.

Mas, apesar de reconhecer o grande avanço da vacinação nos últimos meses, o Jornal de Jales levantou um questionamento pertinente na edição de domingo passado, dia 8 de agosto.

Se a campanha de imunização está sendo feita sem maiores intercorrências, por que há tantos internados na Santa Casa?

Para não ficar só no achismo, o J.J. procurou o médico infectologista Maurício Kenzo, responsável pela Ala Covid da Santa Casa e, ao mesmo tempo, integra o Comitê Municipal de Enfretamento ao Coronavírus.

Tomando todos os cuidados para colocar a bola no centro, o médico levantou algumas hipóteses para explicar o descompasso. Segundo ele, a localização geográfica de Jales, que fica próxima aos estados vizinhos, pode ser uma delas. Exatamente o que previu o Centro de Pesquisas da Unesp, conforme registro feito há quase um ano pelo professor mestre Eduardo Britto (Colégio e Cursinho Objetivo), articulista-colaborador do J.J.

 Mas, além disso, Kenzo deu outra pista que talvez explique que, por exemplo, a UTI Covid esteja sempre com 100% de ocupação —o relaxamento.

Vacinadas, as pessoas estariam se sentindo livres do perigo, baixando a guarda e se comportando na base do “liberou geral”.

A advertência do infectologista faz o maior sentido: a vacina não é sinal verde para vida normal. Portanto, não dá para relaxar!


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