domingo 05 abril 2020
Empreendedorismo

Na dúvida, não contrate: continue procurando

Uma das leis imutáveis da física gerencial é a “Lei Packard” (assim chamada pelo projeto de pesquisa de David Packard, cofundador da Hewlett-Packard Company). Ela diz assim: nenhuma empresa pode aumentar sua receita, de forma constante, mais rapidamente do que a sua capacidade de recrutar as pessoas certas em número suficiente para implementar esse crescimento, e ainda se tornar uma empresa excelente. Se a taxa de crescimento de sua receita supera consistentemente sua taxa de desenvolvimento de pessoas, você simplesmente não vai, e na verdade não pode, construir uma empresa que prima pela excelência.
Aqueles que constroem empresas excelentes sabem que o maior gargalo no crescimento de qualquer grande organização não são os mercados, nem a tecnologia, a concorrência ou os produtos. É um único fator, acima de todos os demais, é a habilidade de conseguir e manter pessoas certas em número suficiente.
Para ilustrar apresentarei um estudo de caso de duas empresas, são reais, mas para preservar os nomes será denominadas como, empresa A e empresa B. 
Depois das datas comemorativas é normal ver as lojas colocarem cartazes dirigidos aos consumidores: “Desconto, Promoção, Melhores preços ou Fantásticas ofertas”. Mas, não a empresa A. Ela exibe apenas cartazes que diz: “À procura de pessoas fantásticas”.
Todo bom empreendedor que visa a transição de empresa boa para excelente, deve exigir contratações de pessoas fantásticas. O número um, dois, três, quatro e o número cinco precisam ser as pessoas certas.
Muitas vezes nos deparamos com o seguinte pensamento – estou realmente exausto tentando encontrar a pessoa certa para ocupar essa ou aquela posição. Em que momento devo fazer concessões? Você não deve fazer concessão alguma. Encontre outro jeito de ir levando, até encontrar as pessoas certas.
Um dos contrastes mais gritantes entre A, e a empresa B, é que a primeira lutou persistiu e passou a maior parte do seu tempo nos primeiros anos, concentrada em colocar as pessoas certas no barco, enquanto a empresa B passou 80% do seu tempo concentrada em comprar as lojas certas. A meta primordial da empresa A era montar a melhor e mais profissional equipe do seu setor; a meta da empresa B se resumia a crescer o mais rápido possível. A empresa A colocou uma tremenda ênfase em conseguir as pessoas certas em todos os níveis da empresa, desde os motoristas do serviço de entrega até os vice-presidentes; a empresa B desenvolveu uma reputação de não ser capaz de fazer o básico, como realizar entregas em casa sem danificar os produtos. O proprietário da empresa A disse: Formamos os melhores motoristas de entrega em domicílio do setor. Dissemos a eles: Vocês são o último elo de contato que o cliente tem conosco. Nós vamos lhes fornecer uniformes, exigimos que vocês estejam barbeados e que não tenham odor corporal. Vocês vão ser profissionais. A mudança na forma de lidar com os clientes, ao fazer uma entrega, é absolutamente incrível. Recebemos notas de agradecimento, informando como os motoristas são excelentes e corteses. Por anos, a empresa A e a empresa B tiveram essencialmente as mesmas estratégias de negócios, no entanto, a empresa A decolou como um foguete, nos anos que se seguiram, enquanto a empresa B manteve-se aos trancos e barrancos, até que finalmente foi adquirida por outra empresa. Mesma estratégia, pessoas diferentes, resultados diferentes.
Esse caso é real e achei pertinente colocar aqui para que os empreendedores analisem, pois já ouvi muitos dizerem que não crescem e abrem novos empreendimentos, por não terem pessoal qualificado.

Silvia Barbosa de Melo
(empresária, contadora, mestre em Ciências Contábeis e diretora-proprietária da escola de idiomas CNA)
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