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Mutualismo

por Lucas Rossafa
21 de agosto de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Uma das consequências da histórica goleada da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo de 2014 foi trazer a discussão da importância de treinadores estrangeiros no país. Desde então, alguns dos grandes clubes brasileiros buscaram fora do mercado nacional candidatos que pudessem oferecer novidades táticas ao futebol pentacampeão mundial. Os efeitos dessa tentativa, porém, não têm sido positivos.
Nas três temporadas anteriores, passaram por aqui o colombiano Juan Carlos Osório e o argentino Edgardo Bauza no São Paulo; o português Paulo Bento, no Cruzeiro; o espanhol Miguel Ángel Portugal e o luso Sérgio Vieira no Atlético-PR; e o uruguaio Diego Aguirre, primeiro no Internacional e depois no Atlético-MG. Nenhum deles obteve sucesso, e todos já deixaram o Brasil para continuar carreira internacional.
O principal motivo pelo qual os gringos não dão certo é a falta de tempo. O ideal seria que eles tivessem, pelo menos, um ano para se adaptar ao clube e às peculiaridades do nosso futebol. A partir daí, seria possível cobrá-los por resultados. Na prática, todos sabem que nada disso acontece. Os mandatários falam que os técnicos terão tempo para se ambientarem, mas é tudo conversa fiada. Na hora de tomar decisão, o que vai pesar é se a bola entrou ou não, se o time venceu ou se foi campeão. Ninguém vai querer saber se o trabalho é bom e se ainda pode trazer frutos em médio prazo.
Por outro lado, os treinadores que vêm de fora também apresentam problemas. Tem sido comum observar que, logo após o primeiro fracasso, arrumam as malas e partem. Aos estrangeiros, antes de assumir qualquer desafio futebolístico no Brasil, é fundamental ter uma noção básica de quais jogadores terão à disposição, das principais características, dos possíveis adversários e, obviamente, da história do clube que irá treinar. E este hábito é quase que automático quando alguém assina com um time europeu. Por aqui, infelizmente, tal linha de raciocínio passa longe.
Para que o futebol brasileiro absorva novas experiências, o que é fundamental, é indispensável que os comandantes estrangeiros, assim como os diretores locais, mentalizem uma relação de mutualismo. Ou seja, um elo harmônico no qual ambos se beneficiem, interagindo entre si e exercendo influências recíprocas tanto no nível individual como no coletivo.
A troca de vivências é sempre bem-vinda e extremamente rica. Essa prática deve ser estimulada a partir do momento em que uma mudança de mentalidade for instaurada em nosso ambiente esportivo. A distância para tal realidade, no entanto, é gigante. Vale ressaltar que espaço para bons profissionais há de sobra, ainda mais no Brasil. Basta, apenas, interesse mútuo.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas