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Mulheres de luz própria

Editorial
13 de maio de 2018
Historicamente, no imaginário popular, o papel de primeira-dama era meramente decorativo. Da presidência da República às prefeituras, passando pelos governos estaduais, as esposas dos governantes limitavam-se a sair nas fotos com crianças no colo ou distribuindo cestas de Natal. 
Com o devido respeito que ela merece, Marisa Letícia, falecida no ano passado, encaixa-se neste perfil. Durante os oito anos de governo do presidente Lula, que bateu recordes de popularidade, nunca se ouviu a voz dela.
Antes disso, porém, é necessário que se faça justiça ao fato de que Ruth Cardoso, esposa do presidente Fernando Henrique, eleito em 1994 e reeleito em 98, se recusou a ficar na sombra do marido.
Antropóloga, professora universitária altamente titulada, portanto capaz de caminhar com as próprias pernas, foi ela quem criou um programa chamado “Bolsa Escola”, que apoiava financeiramente as famílias de baixa ou nenhuma renda que mandassem os filhos para estudar. Depois que Lula assumiu, ele agregou outros programas recriando tudo com o nome de “Bolsa Família”. Hoje, pouco se fala de Ruth Cardoso, mas ela fez diferença em seu tempo. 
Em Jales, a história ainda fará justiça a Rosângela Maria de Souza Parini que, entre 2005 e 2012, quando o marido Humberto Parini governou a cidade, foi muito menos primeira-dama e mais uma grande ativista de outros valores, transformando o Fundo Social de Solidariedade do Município. Ao invés de só distribuir cestas básicas, ela passou a investir na capacitação profissional de homens e mulheres, abrindo-lhes oportunidades no mercado de trabalho. 
Embora fosse filiada ao PT, Rosângela, sem constrangimento político, dizia a quem perguntasse que suas ações em Jales se inspiravam no que Lu Alckmin, esposa do governador Geraldo Alckmin, do PSDB, fazia em São Paulo à frente do Fundo Estadual de Solidariedade.  
Atualmente, ressalte-se o trabalho que vem sendo desenvolvido por Glauciane Helena Franco, esposa do prefeito Flávio Prandi Franco, à frente do Fundo de Solidariedade do Município, do qual é presidente.
 Jornalista, professora universitária com mestrado no currículo, ela está sabendo compreender   que   o Fundo de Solidariedade pode contribuir para a abertura de novos horizontes a quem deseja mudar de vida.
Em 2017, com o apoio de voluntárias que se dispuseram a ensinar o que sabiam, cerca de 1.304 pessoas, em apenas seis meses, participaram de 91 cursos. Em 2018, com quatro meses e meio de atividades, o Fundo já ofereceu 54 cursos para 731 vagas.
Não contente em abrir espaço para que as pessoas coloquem as mãos na massa, ela agora pretende atuar para fazer a cabeça de quem se interessa, abrindo inscrições para o ciclo de palestras “Saúde & Depressão”, que começa na próxima quarta-feira, dia 16 de maio (ver matéria na página 8 deste caderno).
Em resumo, com tantos exemplos de mulheres com luz própria, Ciro Gomes jamais repetiria o que disse em 2002. Candidato a presidente da República, então casado com a atriz Patrícia Pillar, perguntado sobre qual seria o papel dela caso fosse eleito, Ciro, que estava bombando nas pesquisas, cavou sua própria sepultura eleitoral: “o papel dela será dormir comigo”.