domingo 12 julho 2020
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Moro, de herói a vilão

Na deflagração da operação lava jato no Brasil, nascia o novo herói nacional: o juiz federal, Sergio Moro. Colocou no cárcere empresários, políticos e até um ex- presidente, atitude que nunca houve em toda história da Nação. O povo brasileiro esperava ansiosamente uma pessoa que começaria a fazer uma faxina geral contra os corruptos que assaltaram por décadas o erário dos cofres públicos. Moro era essa tão sonhada esperança, o sentimento do povo era de gratidão e muito carinho por aquele que não teve medo de enfrentar a indústria da corrupção e do crime organizado. Era o cara. Foi aclamado pela crítica nacional e internacional, condecorado como um dos melhores juízes do Planeta. Passou a ser homenageado por diversas organizações judiciárias, deu palestras, foi assediado por todos. Recuperou a credibilidade dos advogados, juízes, desembargadores, os defensores da justiça brasileira.

A história desse cidadão do bem teria um desenrolar mais brilhante quando o eleito presidente, Jair Bolsonaro, não titubeou em convidá-lo para assumir a pasta da justiça e da segurança púbica. Foi um frisson geral com a nomeação, aliás era um herói nacional. A esperança era de que ao assumir a Pasta da Justiça, com maior poder encheria os presídios daqueles que ainda aguardavam suas sentenças.

O país inteiro apostava no ministro do presidente Bolsonaro. Como todo início de um trabalho, começou com sangue novo, mostrando a que veio, dando a entender que a corrupção seria muito em breve, algo do passado. Passaram-se 1 ano e 3 meses e com o tempo, afrouxou a corda e passou a ter um comportamento passivo em muitos casos pendentes que deveriam ser julgados e investigados pela PF, como os casos envolvendo os caciques do PSDB, o mandante de Adélio que tentou matar o presidente, e que até o momento não foram investigados e nem julgados.

Começava-se a ter uma desconfiança com relação ao seu comportamento e nem sonhávamos que o herói Moro que é um ser humano igual nós, passivo de erros, mas com sentimentos venenosos: o ciúme, o poder, a ganância. Durante sua permanência no ministério da justiça, aliado ao seu heroísmo nacional foi assediado por uma corrente política, chamado Centrão que não tem candidatos gabaritados para a corrida presidencial de 2022 e Moro é o alvo, foi flagrado em reuniões e cafés da manhã com os caciques dessa corrente política. Resultado, fomos pegos de surpresa, no último dia 24/04 (sexta feira) quand o presidente anunciou a demissão do seu ministro. O povo ficou perplexo, estarrecidos com a notícia, muitos não queriam acreditar. Mas ao baixar a poeira daquele momento, foi se desenhando um comportamento estranho e nada combinado com o Sergio Moro, homem considerado ilibado, discreto e educado, que passou a publicar situações que pudesse atacar a imagem do intocável Jair Bolsonaro, que ia contra o que aparentava. Quando tudo se desmorona, começa a aparecer as ligações pessoais, comportamentos inadequados para um ex ministro da sua posição perante a sociedade e o povo brasileiro. Foi uma decepção geral. Nas redes sociais o bombardeio é tremendo já condecorando o ex ministro como o vilão da história. Fica a certeza que ele perdeu a grande oportunidade da sua vida de se consagrar como o maior herói nacional do século 21 para ser lembrado por todas as gerações futuras.

Hoje ele está carregando em seu currículo, o título de um tremendo vilão e traidor da pátria. Isso que ocorreu sirva de lição para todos nós e saber que nos degraus da vida, entre o “herói e o vilão” a queda é bem mais rápida do que imaginamos. A vida continua. Avante Brasil.

Osmar Gabriel (Corretor de Imóveis//RG 8.320.382)

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