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Mobilização Nacional como panacéia da atualidade

- Uma opinião à parte -
20 de fevereiro de 2012

 

Cálculos aproximados dão conta de que para um milhão e meio de assinaturas da mobilização nacional pelos 10% da saúde são necessárias, pelo menos, 50 mil folhas de papel cuja pilha teria cinco metros de altura. Seria uma documentação apócrifa, de impossível autenticação, jamais manuseada, de difícil transporte e representaria um entulho para arquivamento com desgaste de material que tão logo seria descartado para reciclagem (ou para o lixo).
Essa prática era justificável e apropriada à época do Brasil principado, há 190 anos, quando o povo brasileiro se manifestou com 8 mil assinaturas implorando a fim de que o príncipe-regente ficasse entre nós. Surtiu efeito, Sua Alteza preferiu ser imperador do Brasil que receber educação na corte de Lisboa como queriam seus patrícios de além-mar. 
Os tempos mudaram; hoje temos centenas de congressistas emanados do povo para bem nos representar junto ao Legislativo. Com o mote de serem os escolhidos democraticamente entre os candidatos (termo que se originou de candido), é de se esperar que correspondam ao nosso voto de confiança. Assim, os eleitos se colocariam na posição de baluartes da lisura e da anticorrupção, de impolutos condutores da paz social, do progresso e desenvolvimento da pátria, adversos severos ao mensaleirismo e aos desvios cuequeiros. Sabem, mais que ninguém, de nossas carências, das filas de espera nos postos de atendimento médico-hospitalar, do descaso do ensino básico no Norte/Nordeste, principalmente no Maranhão. Como nós outros, os atuais políticos escolhidos devem estar a lamentar os pífios 2% do PIB alocados para o SUS onde as turbas SUSpiram em filas que recrudescem dia a dia. 
Daqui, dos bastidores de meu desconhecimento, arrisco-me a sugerir que, em vez de abaixo-assinados, devíamos confiar mais naqueles que são bem pagos para tomada de tão significativas decisões já que eles detêm a força e a instrumentação afim. Seria de bom alvitre que adentrássemos numa seara que, por dever de ofício, pertence por princípio aos honoráveis patriotas? Creio que mostrar-lhes nossas chagas, mundialmente conhecidas, seria o mesmo que iluminar o Sol com uma lanterna, e não se esqueçam os leitores que essas 1,5 milhões de assinaturas podem ser derrubadas com uma única canetada. Isso já se tentou fazer recentemente no movimento em favor da ficha limpa e, graças a um dispositivo da Lei Amiga, nossa pretensão não vigorou para as últimas eleições. Jamais tivemos mobilização nacional tão gigantesca como a de 3 de outubro de 2010 com 135 milhões eleitores, dia em que nossa parte foi cumprida sob a égide da Constituição e, para serem escolhidos, foram-nos apresentados 22 mil candidatos cândidos!
Em meus 35 anos de atividade a serviço de uma força armada jamais vi mobilização, panelaço ou coisa parecida para que os superiores cumprissem sua missão institucional tal como: manutenção do controle e defesa do espaço aéreo, busca e salvamento de vidas onde inexistia outro meio de locomoção a não ser a aeronave, viabilização do transporte de helicópteros para resgate de sobreviventes nos quatro cantos da pátria, formação de oficiais e graduados e adestramento dos soldados. O antigo Ministério da Aeronáutica encarregava-se ainda da construção de campos de pouso nas lonjuras da Amazônia indomável concorrendo para a integração nacional e dando a sensação, aos brasileiro das selvas, de que não estavam à mercê da solidão. Vez por outra, dinamitava aquelas pistas clandestinas inseridas nas rotas de contrabando. Não esperavam por advertências oriundas povo para o pronto cumprimento da missão porque “o Brasil espera que cada um cumpra seu dever”. Fosse hoje, o Almirante Barroso talvez acrescentaria: – “o Brasil ainda espera...”  
Esse é meu posicionamento, mas, aqui entre nós, se o abaixo-assinado, contudo, passar por aqui assiná-lo-ei. Palavra de honra.
 
 Genésio M. Seixas
(memorialista em Jales)