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MISSÃO UNIVIDA: Professor de karatê ensina artes marciais para indígenas

Graduado em educação física, professor de karatê, faixa preta em 3º nível, Edson de Freitas Resende participou da 2ª edição da Missão Univida Amazônia que aconteceu entre os dias 5 e 15 de janeiro, convidado pelo Padre Eduardo Lima, de Urânia.
Além de ministrar aulas de karatê na cidade de Jales, Urânia, Santa Salete e Estrela d’Oeste, também é responsável pelo grupo Team Resende que atende as cidades de Palmeira d’Oeste e Santa Clara d’Oeste. O sensei conta que ensinar a arte marcial aos indiozinhos foi algo extraordinário. (B.G.)

J.J. - Quem o convidou para integrar a Missão Univida?
Sensei Edson – Eu participei da 2ª Missão Univida Amazônia convidado pelo padre Eduardo Lima que está atualmente em Urânia, idealizador da missão. Um grande amigo e irmão que entrou na minha vida no final do ano passado, sempre quero levá-lo comigo. E quem me apresentou a missão foi minha namorada, que participou na edição de Dourados/MS no ano de 2018.

J.J. - Quais foram as atividades que o senhor desenvolveu no período? 
Sensei Edson – De imediato, para eu conseguir ganhar a confiança dos indiozinhos, porque eles não falam português, e sim a língua nativa Sataré-Maué, eles tinham um pouco de medo com nossa presença, mas logo perderam. Trabalhei bastante a parte lúdica antes de entrar com o ensinamento do karatê. Passei brincadeiras como atravessar o rio, amarelinha, pular corda, o jogo “pedra-papel-tesoura”, “morto e vivo”. E após essa familiarização, aí sim passei para eles uma aula de karatê.

J.J. - O senhor ensinou karatê para crianças e adolescentes indígenas?
Sensei Edson – Ensinei para crianças e adolescentes. Eles adoraram estar praticando esta modalidade, e eu gostei mais ainda do comprometimento e da seriedade que eles levam qualquer tipo de atividade. Eles gostaram muito, inclusive teve um jovem indígena de 16 anos que quando eu estava me despedindo para poder ir almoçar disse para que eu não demorasse porque índio, quando aprende um movimento, gosta de repetir. Isso marcou demais até porque lá eles não têm praticamente estrutura nenhuma, enquanto aqui os atletas têm tudo e às vezes não se emprenham como eles.

J.J. - Qual a lição que o senhor tira desta participação da Missão Univida?
Sensei Edson – Acho que tudo se resume em gratidão. Desde quando voltei da Amazônia no dia 15 de janeiro, eu ainda não encontrei nenhuma palavra que defina como é estar em uma missão humanitária como essa, que tem por objetivo cuidar do próximo. Mas, você sai de lá muito mais ajudado. Eu aprendi que lá eles não têm nada, mas a simplicidade de agradecer o pouco que tem é muita. Então eu, hoje, procuro agradecer e levar para os meus alunos, família e amigos ter gratidão a tudo que temos.

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