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Mineirês

por Caroline Guzzo
19 de novembro de 2017
Caroline Guzzo
O termo do título acima é muito conhecido entre os moradores do Estado de Minas Gerais. Como alguns de vocês já sabem, mudei para a cidade de Uberlândia e estou em um longo processo de adaptação de linguagem, costumes, além de ficar longe da família e amigos.  
Para tanto, pensei em escrever um artigo mais divertido, explicando algumas palavras que tem o mesmo significado, mas são faladas de maneiras diferentes do que habitualmente conhecemos no Estado de São Paulo. 
Vamos começar pelo diminutivo que no interior de São Paulo falamos pequeninho, bonitinho, espertinho, ou seja, palavras com o “nh” igual aprendemos na escola, já em Minas a terminação é “im”, piquininim ou pititim, bonitim, espertim. Uai, é o tradicional, correspondente do ué de paulista, a expressão “émezz”, significa é mesmo e o bão tamém é bom também.
 Temos outras pérolas mineirês, sendo: custoso (difícil), ataiá (cortar caminho), cadim (um pouco), dimais da conta (além do esperado), é mio (é melhor), ispia só (olhe), logo ali (lugar distante), essa em específico já me enganou por várias vezes, nú (admiração, satisfação). Não posso esquecer do trem, que é utilizado para expressar qualquer coisa. 
O varado di fome (faminto) também é frequente na linguagem. Kinem é o advérbio de comparação, igual. Ah! Tem a capital de Minas Gerais, chamada de Belzont (Belo Horizonte) e outras cidades como Beraba (Uberaba), Berlândia (Uberlândia), Jigifora (Juiz de Fora), entre outras.
Sabe o que é quitanda? Para nós é um lugar onde se vende frutas, verduras, legumes, ovos, na cozinha mineira quer dizer tudo aquilo que é servido com o café, exceto o pão, sendo bolos, fatias, biscoitos, sequilhos, broas, sonhos, entre outros, utilizam-se sacolão para vendas de hortifrútis. 
São tantas expressões diversificadas que ficamos espantados de ver como o nosso país sofre variações linguísticas, de costumes e trejeitos de Estado para outro, em alguns lugares há diferença até dentro do próprio Estado. 
Bão, esse artigo passaria facilmente de duas páginas contendo apenas os termos mineirês, mas, como eu não quero que o Sr. Deonel tenha um troço, eu vô sartá de banda pra mode dele não ficá burricido comigo. Traduzindo: Eu vou sair fora com a finalidade dele não ficar aborrecido comigo (brincadeirinha). Beijinhos mineirês aos leitores paulista. 

Caroline Guzzo
(é jornalista)