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Mestranda na USP, jalesense ministra curso sobre Harry Potter

Aos 25 anos, Beatriz Masson Francisco conquista espaço no seleto grupo dos jalesenses que elevam o nome da cidade.
26 de agosto de 2018
Beatriz Masson Francisco: “fiquei bastante surpresa com o tamanho da repercussão”
Aos 25 anos, Beatriz Masson Francisco conquista espaço no seleto grupo dos jalesenses que elevam o nome da cidade. Na semana que passou, sites como da revista Exame, G1/Globo, Ibahia, Veja, Estadão, Terra, UOl, Metrópoles, Br Notícias e Portal5 noticiaram o início das inscrições para o curso “Harry Potter: Caminhos Interpretativos”, idealizado por Beatriz e que será ministrado na própria USP onde ela desenvolve dissertação de mestrado. 
A jalesense tem 25 anos, é filha de Antonio Claudio Francisco (gerente executivo do Lar dos Velhinhos) e Jussara Masson Francisco, é bacharela e licenciada em Letras-Português/Inglês pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH/USP).
Seu currículo contempla passagem como professora de inglês na escola Red Ballon há três anos. Antes, trabalhou na Cultura Inglesa. Também foi ministrante convidada do programa UniversIDADE , da Unicamp. Também já fez palestras para o curso de Letras do Instituto Singularidades e para o curso de Biblioteconomia da FESP/SP. 
Diante dessa exposição toda nas mídias digitais, o Jornal de Jales foi ouvir Beatriz a respeito do curso que ela vai coordenar tendo Harry Potter como ponto de partida... (DRJ).

J.J. - Por que você resolveu investir em dissertação de mestrado voltada para a série de livros de Harry Potter?
Beatriz - Eu sempre gostei muito de ler todo e qualquer tipo de livro, mas Harry Potter se tornou minha história favorita desde meu primeiro contato com a série. A influência desses livros sempre foi muito grande em minha vida, de modo que eu decidi estudá-los mais a fundo durante o curso de Letras e também agora no mestrado. Embora Harry Potter seja um título muito famoso mundo afora, ele é pouquíssimo estudado em nosso país e, por conta disso, eu achei que seria interessante trabalhar com essa série que mudou a vida de tantas pessoas. Atualmente, estudo como a estrutura narrativa de Harry Potter ajudou a formar milhões de leitores no Brasil.

J.J. - Em que medida este trabalho acadêmico pode contribuir para ampliar os horizontes do leitor jovem?
Beatriz - Normalmente nós, professores, tendemos a pensar que o leitor jovem não possui um repertório de leitura digno de atenção ou que ele não é capaz de refletir a respeito daquilo que lê. Na verdade, este leitor possui, sim, um repertório de leitura - só que normalmente ele não está relacionado às chamadas “belas letras”. Meu trabalho enquanto pesquisadora propõe um diálogo aberto e horizontal com o repertório de leitura desses jovens leitores, através dos livros de Harry Potter. Mais do que ampliar o conhecimento dos adolescentes e jovens adultos a respeito da série, eu irei ouvir o que esses leitores têm a dizer sobre os livros de J.K. Rowling. Por isso afirmo que meu trabalho é uma via de mão dupla: espero que os jovens ampliem meus próprios horizontes, da mesma forma que eu espero poder contribuir com uma reflexão mais aprofundada sobre Harry Potter.

J.J. - Em que consiste o curso “Harry Poter: Caminhos Interpretativos”?
Beatriz - O curso faz parte da minha pesquisa de mestrado. Eu realizarei uma pesquisa de campo com leitores de Harry Potter, para tentar mapear suas hipóteses de leitura e suas reflexões a respeito da série. Além desta parte prática, o curso se divide em cinco aulas expositivas, onde estudaremos as tradições narrativas que J.K. Rowling recuperou e reciclou para criar sua própria história e como ela construiu os personagens da série. Além disso, também discutiremos o espaço que é dado à Harry Potter e seus leitores dentro da crítica literária.

J.J. - É difícil para uma mestranda como você ter autorização da direção da maior universidade pública do país para ministrar um curso desta natureza?
Beatriz - Estudar uma obra considerada best-seller dentro da USP nunca foi muito fácil. O curso de Letras oferece ferramentas de estudo excepcionais para todos os alunos, mas, ao mesmo tempo, possui uma visão bastante tradicional da literatura como um todo. Desde a graduação eu venho insistindo com a pesquisa sobre Harry Potter e posso dizer que hoje, cinco anos depois que comecei a estudar a obra de forma mais aprofundada, as coisas estão mais fáceis - embora elas tenham sido bem complicadas no começo. Muitos professores renomados entendem, aceitam e apoiam que o estudo de uma obra contemporânea e de grande alcance é tão importante quanto as pesquisas realizadas sobre Machado de Assis, por exemplo.

J.J. - Como você recebeu a verdadeira avalanche de notícias publicadas sobre o curso nas edições eletrônicas de alguns dos principais veículos do país? 
Beatriz - Eu fiquei bastante surpresa com o tamanho da repercussão! Juntar “USP” e “Harry Potter” em uma mesma frase dá bastante pano pra manga! Mas fiquei muito, muito feliz. As vagas para o curso se esgotaram em onze minutos e isso me mostrou o quanto as pessoas estão interessadas a dialogar e refletir sobre Harry Potter, leitura e formação do jovem leitor.