domingo 31 maio 2020
Perspectivas

Mestrado consolida Psicanálise em Jales

Fundada em 1941, com pioneiros ainda vivos, Jales ingressa no estreito corredor da vitória, numa difícil maratona vencida por sonhadores como Euplhy Jalles. Engenheiro Politécnico formado na USP, Euplhy sempre se destacou pela coragem de abrir sertões, trabalhando na construção da Estrada de Ferro Araraquara (EFA), recebendo de honorários grandes extensões de mata virgem do Estado.
E assim Jales começou com o loteamento de pequenas propriedades e fundação de uma vila planejada para ser o centro de região, vivendo o ciclo da fundação, com pioneiros vindos de todas regiões, destacando a imensa colonização italiana e japonesa.
Na década de 50, Jales vive o apogeu da produção agrícola, nascendo desse trabalho a organização dos proprietários rurais, responsáveis pelo surgimento de várias benfeitorias e fortalecendo a condição de centro de região.
Depois dos ciclos da fundação (década de 40) e desenvolvimento agrícola (década de 50), Jales vive o poderoso ciclo de criação da diocese na década de 60. Nossos vizinhos de Fernandópolis e Votuporanga procuraram o caminho político para conquistar a diocese, enquanto Jales, numa manobra inteligente, liderada pelo juiz Dr.Sinésio, pelo dentista Edilio Ridolfo e pelo fundador Euplhly Jalles, procurou o caminho interno da igreja. O ciclo de vitória jalesense com a Diocese consolida nossa posição de centro de região.
O próximo ciclo de vitória foi na década de 70, com o surgimento de grandes personalidades urbanas, trazendo modernidade no pensamento e ações mais racionais na forma de conduzir Jales.
A fundação de uma faculdade, obra imortal de Osvaldo Soler, a expansão da Santa Casa, a visão de Edson Freitas criando a FACIP, a gestão urbana revolucionária de Honório Amadeu em seu primeiro mandato como prefeito, o discurso brilhante de Rollemberg em favor de se colocar Jales num patamar acima da mesmice e dezenas de professores, advogados, médicos, empresários abrindo portas e acelerando o desenvolvimento da cidade.
O quinto e último ciclo de vitórias significativas se encerra na década de 90, com a perda de várias obras e demandas para Fernandópolis, período que Jales experimentou um grande esvaziamento de lideranças políticas.
De repente, não mais que de repente, Jales conquista o Hospital do Câncer, chamando atenção de todo Brasil e vivendo nos primeiros anos do século 21 um desenvolvimento nunca experi-mentado.
Graças ao Hospital do Câncer Jales ressurgiu, renovando esperanças e sonhos em toda população.
Enquanto via ferver ônibus e carros com placas do Brasil inteiro em suas ruas, surgimento de dezenas de novos hotéis, pensões e restaurantes, totalmente ocupados pelas milhares de pessoas que gravitavam em busca de saúde no hospital, Jales foi amadurecendo uma linha de pensamento, baseado na racionalidade que gera desenvolvimento social, trabalha as emoções, mostra e explica o arco-íris da bonita linha do horizonte.
A psicanálise chegou a Jales no momento que a cidade mais precisava dela, buscando respostas para o elevado índice de suicídio em nossa região.
O Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea (IBPC) trouxe para Jales cursos de formação de psicanalistas, mudando, em pouco tempo, a paisagem emocional de uma cidade em busca de seu destino.
Hoje Jales tem várias clínicas de psicanalistas, atendendo um povo que não se conforma mais de viver a vida só olhando pela janela.
A psicanálise cresceu tanto em Jales que organizou um curso de Mestrado, tentando tornar nossa região uma referência nacional no campo da mente saudável.
O Mestrado é o ciclo mais importante que pode acontecer no pensamento e na consagração de Jales.
O Mestrado é a nave espacial do conhecimento.

Roberto Gonçalves
(é Psicanalista, presidente do Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea, historiador, cientista político e escritor) 
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