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Mesa redonda discute aumento do suicídio no país e na região

A médica psiquiatra Daniele Cicoti Martinez do CAPS de Jales destacou que não existe uma causa específica para o suicídio, mas sim várias causas que envolvem fatores de risco.
16 de setembro de 2018
Os palestrantes se revezaram durante o ciclo de debates na Casa do Médico
Uma mesa redonda para discutir as formas de prevenção do suicídio que continua aumentando no país e na região foi realizada no dia 10 de setembro, na Casa do Médico, com a participação de profissionais da área de psiquiatria, saúde, social e educacional, além de médicos e psicólogos.
A psicóloga Analice Freitas de Castilho Andreu, coordenadora do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) da região de Jales lembra que a campanha Setembro Amarelo, iniciada em 2015 e que acontece mais uma vez, é importante para ampliar as discussões sobre o tema para tentar reverter essa situação que coloca o Brasil como o 8º no mundo em número de suicidas. 
Como esse número também é grande na região, os profissionais ligados à saúde mental estão atentos, procurando intensificar as ações preventivas, através do Ambulatório de Saúde Mental, que envolve os 15 municípios da área de abrangência do CONSIRJ (Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região de Jales).

CAUSAS
A médica psiquiatra Daniele Cicoti Martinez do CAPS de Jales destacou que não existe uma causa específica para o suicídio, mas sim várias causas que envolvem fatores de risco como genética, doença mental, tentativa de por fim à vida e outras, onde a depressão é o principal sintoma.
As famílias, segundo ela, precisam ficar atentas para acompanhar as mudanças no comportamento do paciente que incluem o isolamento e a falta de interação social. É preciso saber ouvir o paciente e apoiar, procurando mostrar que existem outras saídas para os problemas além da morte, procurando sempre o tratamento adequado. 
O que mais preocupa, segundo a psiquiatra, é que além das faixas de maior risco, que incluem adultos jovens e idosos, o número de suicídios também cresce em outras faixas que incluem adolescentes e até crianças, sendo que na faixa de 70 anos ou mais chega a 8 ou 9 por 100 mil habitantes.

TRATAMENTO
A médica psiquiatra Ana Cristina Aidar Lopes lembra que a piora do quadro depressivo no paciente que está em tratamento é o fator mais importante que deve merecer a atenção da família. É um quadro que vai se agravando, quando o paciente vai se isolando, se desanimando, não quer conversar, chora muito e às vezes manifesta vontade de tirar a própria vida.
A avaliação desse quadro, segundo ela, é função do psiquiatra que tem sempre que questionar. A psiquiatria, como afirmou, é sempre o melhor caminho, pois nessa situação o paciente precisa ser medicado.
A médica afirma que a família tem que perceber essa situação e isso é feito observando o comportamento do paciente, o que não é difícil. Na sequência, o caminho é procurar o serviço de saúde mental, para receber as orientações necessárias e encaminhar para tratamento.
Ana Cristina também chama a atenção para a internet e o celular como uma das causas do aumento de suicídios entre as crianças e adolescentes. Este foi um dos temas abordados durante o debate, pois eles acabam vendo como se matar, através de brincadeiras, além de contribuir para aumentar o isolamento em um mundo só deles que pode contribuir para que procurem pôr fim à vida.
As pessoas que quiserem mais informações sobre o assunto podem telefonar para o CAPS, no 3621-4811 e 996330471.