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Mente pequena

Perspectivas por Carol Guzzo
15 de julho de 2019
Caroline Guzzo
Viva a Democracia! Assim começo o artigo para falar de outro tema polêmico que divide opiniões, o decreto de flexibilização do porte e posse de armas. Chega a doer o coração quando vejo o Presidente de um País fazendo menção à arma de fogo em pleno jogo da Copa América, mais precisamente na vitória do Brasil contra a Argentina. Não foi à toa que houve aplausos e vaias. Que bom, a democracia permite a exposição de ideias, só não sei até quando. 
Pelo visto, o Governo não tem muito trabalho a fazer no País, afinal, assuntos que, do meu ponto de vista são irrelevantes, estão sendo colocados em pauta em um momento que o Brasil está com mais de 12 milhões de desempregados, sendo o maior índice em sete anos em 13 capitais. Ah, o que isso significa? Nem parece ser tão importante criar estratégias para mudar o cenário, não é? Isso demonstra um governo confuso, descomprometido e perdido.
Mas, vamos lá, o Presidente está preocupado em criar uma base de apoio para aprovar o decreto de armas. Desde janeiro, sete versões foram publicadas. Em depoimento no site UOL, na última quinta-feira, eis a fala, “arma é instrumento que garante liberdade e democracia de todo país. Todo governo que desarma seu povo está mal-intencionado”, afirmou o presidente. O que? Como assim? 
Aposto que você já está pensando sobre o referendo em 2005, no qual cerca de 64% dos brasileiros foram favoráveis ao acesso facilitado da arma de fogo. Apesar do resultado, esse assunto ficou estagnado, afinal, não era somente votar, todo um texto precisava ser criado, embasado em regras, como o tipo de arma que poderia ser adquirida, entre outros aspectos. 
Após 14 anos, eis que ressurge o assunto. Para aqueles que acreditam que arma de fogo é a solução para diminuir a criminalidade, ótimo para defesa pessoal ou traz segurança, só lamento, pois tudo isso é dever do Estado, você pode ver mais detalhes sobre isso no art. 144, caput, da Constituição Federal de 1988, que elenca que a segurança pública é um dever do Estado, sendo responsabilidade e direito de todos, cuja finalidade é a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio. Quando o Presidente disse “o povo que quer” acho que ele generalizou demais, quem disse que eu quero? Até porque na época do referendo eu não tinha o direito ao voto, já que estava com apenas 15 anos. 
O brasileiro não tem educação, imagine com uma arma na mão? É para rir? E ainda diz ser um homem de Deus, exaltando o nome de Cristo em vão em quase todos os seus pronunciamentos. Quem sou eu para julgar, estou apenas analisando os fatos. Na Bíblia Sagrada existe uma reflexão que distorce os discursos do Presidente. Em Lucas 6:29 consta “ao que te bate numa face, oferece-lhe igualmente a outra; e, ao que tirar a tua capa, não os impeças de tirar-te também a túnica. Dá sempre a todo aquele que te pede; e, se alguém levar o que te pertence, não lhe exijas que o devolva”. Não achei aqui que devemos combater o ódio com violência, se você achar, por favor, me mostra. Porém, como somos livres, cabe a cada um interpretar do seu modo.
Mas, a análise não para por aí. Segundo a Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo (Global Mortality from firearms, 1990 - 2016), divulgada em 2018, no site O Globo, o Brasil foi o país que apresentou o maior número de mortes por arma de fogo no mundo, somando mais de 43 mil. Logo em seguida, vem os Estados Unidos, com 37. E, olha que lá eles compram armas em qualquer esquina, e mais, diversos grupos pedem mais controle de armas no País.
Será que haverá fiscalização sobre o porte de arma? Quem na rua vai fiscalizar? Fala sério! O brasileiro está muito longe de saber usar uma arma, primeiro é preciso investir na educação, pois nem no trânsito as pessoas respeitam as regras, imagina com um “trabuco” na mão?
Uma pesquisa do Instituto Datafolha, realizada em abril, mostrou que a maioria da população é contra a liberação do porte e posse de armas: 64% acham que a posse de arma deve ser proibida, 35% são favoráveis. Ainda bem que mais da metade acredita que o armamento jamais será uma medida de defesa pessoal ou segurança. Acredito que o Presidente precisa rever os números antes de falar que é a vontade do povo.

Caroline Guzzo
MTb 71628/SP
(jornalista jalesense, radicada em Uberlândia/MG)