quarta 23 setembro 2020
Editorial

Menos ranger de dentes, mais ação de cada um

Alguns setores da opinião pública têm o péssimo hábito de debitar todos os males que os afligem diariamente   na conta corrente das autoridades, com ou sem mandato.
O advento das redes sociais aflorou ainda mais esta tendência à esculhambação de quem tem a responsabilidade de governar. Protegidos pelo quase anonimato, os malucos dos teclados  ficam valentes e não economizam ofensas e/ou insultos.   
Mas, parafraseando o saudoso jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues, que cunhou uma frase segundo a qual “toda unanimidade é burra”, generalizar as condutas referidas acima também  é burrice elevada à enésima potência. 
 Vai daí, se tem alguns segmentos que acordam amargos , transferindo, não raro, a culpa de seu baixo astral  ao presidente da repúbica, governador ou prefeito—ou a todos juntos —a maioria faz exatamente o contrário.  
A história recente de Jales é recheada de exemplos de pessoas e instituições que, ao invés de maldizer a escuridão e ficar chorando o leite derramado, procuram iluminar o ambiente ao seu redor. 
Para não ir muito longe, vale lembrar o que aconteceu logo após a implantação  da Estação de Tratamento de Esgotos de Jales, nos anos 90. A imagem recorrente de um local como aquele é de algo feio e malcheiroso.
Foi quando a professora mestre Gema Aparecida Prandi Rosa, de saudosa memória,  coordenadora do curso de Biologia da Unijales, fez a cabeça dos seus alunos e os engajou num projeto de reflorestamento da ETE de Jales, iniciativa abraçada com entusiasmo pela Gerência Divisional da Sabesp, então pilotada pelo idealista Antonio Rodrigues da Grela Filho, o Dalua, que se tornou parceiro do ousado processo. 
Resumo da ópera: aquele lugar lúgubre virou um jardim e, para espanto dos visitantes, até em cenário de fotos de noivos após saírem de cerimônias de casamento, com direito a matérias na televisão 
Na edição de domingo passado deste jornal (1º de dezembro), outros dois exemplos recentíssimos de cidadania e responsabilidade social. 
Graças à ação da professora Daisy Romagnoli de Moraes Andrade, alunas do curso de Pedagogia da Unijales foram as primeiras a iluminar a cidade com as luzes do Natal,  transformando garrafas pets em luzes douradas e coloridas para enfeitarem as árvores no entorno daquela instituição.  
De sua parte, o advogado Gustavo Alves Balbino, mestrando em Ciências Ambientais, deu  um banho de espírito comunitário em texto publicado no espaço “Perspectivas” , intitulado “Ação, o melhor exemplo”.
Sobre o incêndio que devastou parte do Bosque Municipal  há 60 dias, Gustavo recomendou: “ que o Bosque Aristophano Brasileiro de Souza possa se regenerar, com iniciativas do Poder Público ou da sociedade em geral, pois, como diz o texto constitucional, o meio ambiente é de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade vida. Cobrar dos agentes públicos é sadio, mas agir e dar o exemplo é dignificante”. 

*O Editorial reflete a opinião deste jornal*
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