Fique Sabendo

MEMÓRIA

 

MEMÓRIA – Ainda na esteira do falecimento do professor e advogado Carlos Antonio Prata, que perdeu a luta contra o câncer na última segunda-feira, dia 26, vale a pena resgatar outro episódio, este decorrente do que foi lembrado acima, na coluna Contexto, ambos tendo o extinto como um dos principais personagens.
 
CAUSA E EFEITO-  Os arquivos do Jornal de Jales registraram na edição que, menos de 24 horas após a Manifestação pela Dignidade e Cidadania realizada no dia 4 daquele mês e que levou mais de oito mil pessoas às ruas de Jales, os advogados Silvério e Paulo  Polotto, procuradores da família Jalles,receberam a cúpula da Prefeitura Municipal, dia 5, em São José do Rio Preto.
 
DESATANDO O NÓ- Estiveram presentes o prefeito Hilário Pupim, o prefeito licenciado José Antonio Caparroz, o advogado Izaias Barbosa de Lima Filho, procurador geral do município, e o secretário municipal de Finanças, Ézio Assunção de Lima. A Câmara de Vereadores foi representada pelo presidente Irineu Rodrigues de Carvalho.
 
BARRADOS NO BAILE (1) – Dois dos três membros da Comissão Independente Pró-Jales, o coordenador Carlos Antonio Prata e Nelson Samartino, o bispo D. Demétrio Valentini, e o jornalista Deonel Rosa Junior, representando o Fórum da Cidadania, estiveram em Rio Preto a convite do prefeito Hilário. Dos quatro, apenas o bispo foi admitido na reunião. Quando Prata, Samartino, D. Demétrio e o diretor do J.J. entraram na sala, foram informados por Silvério Polotto de que o encontro seria apenas com a equipe da Prefeitura. “O encontro com vocês será depois”. Prata tentou argumentar que a presença dos membros da Comissão Independente era meramente simbólica até porque a responsabilidade de apresentar ou receber propostas era dos administradores.
 
BARRADOS NO BAILE (2)- Após o curto diálogo, os quatro deixaram a sala em meio a um clima de constrangimento sem que a cúpula da Prefeitura esboçasse qualquer gesto de solidariedade.Quando todos se encontravam no corredor de acesso à  sala, alguém se deu conta do tamanho da grosseria e uma voz não identificada chamou: “o bispo fica”. Constrangido, D. Demétrio ainda hesitou alguns instantes, mas acabou retornando à sala,  tendo participado integralmente da reunião.
 
BOCA NO TROMBONE- Entrevistado por repórteres de Rio Preto, inclusive de televisão, que cobriam o encontro, Prata definiu o gesto de Polotto como uma “grande indelicadeza”, especialmente com um colega advogado como ele. Em sinal de protesto, Prata e Samartino recusaram-se a se reunir à parte com o procurador da família Jalles e sua equipe, tendo aguardado o desfecho da reunião na calçada em frente ao prédio onde funciona o escritório de Polotto.
 
LUZ NO FIM DO TÚNEL- Após a reunião a portas fechadas entre as partes, Hilário, os advogados da família Jalles e o bispo falaram à imprensa. O prefeito disse que o motivo da reunião era sentir a disposição dos credores para o diálogo, o que, em sua opinião, foi constatado. Na volta a Jales, ele e seus assessores jurídico e de finanças iriam dar a versão definitiva da proposta de pagamento a ser apresentada à família Jalles, cuja minuta já tinha sido levada anteriormente  pela Comissão Independente.
 
ME DÁ UM DINHEIRO Aí- Indagado se as partes estavam próximas de um acordo, o advogado Silvério Polotto  respondeu que aquela fase não era de acordo, mas de apresentação de proposta a ser submetida à família Jalles. Ele esclareceu que o valor do precatório já estava dividido entre os cinco membros da família do fundador da cidade.
 
ESPERANÇA – Por sua vez, D. Demétrio Valentini revelou à imprensa presente que incumbiu o advogado Silvério Polotto  de ser portador de um apelo à família Jalles no sentido de que o acordo se estabeleça “não  em cima dos termos jurídicos, que já estão definidos, com a sobrecarga de incumbências que a lei prevê. Mas um acordo em termos de bom senso, levando em conta outras referências, outros valores, entre os quais o relacionamento da família com a cidade”.  
 
PRETO NO BRANCO – Depois  da Passeata dos 8 mil e da reunião no dia seguinte, foram iniciadas tratativas para o pagamento parcelado do precatório, o que começou a acontecer efetivamente a partir de 2005 , quando assumiu Humberto Parini, novo prefeito. Pelo acordo, a Prefeitura deveria pagar parcelas anuais de R$ 1 milhão e 300 mil, o que fez até 2010, tendo recolhido aos cofres da família Jalles mais de R$ 7 milhões. Hoje, a Prefeitura continua fazendo pagamentos, mas respeitando decisão do Supremo Tribunal Federal, que limitou em 1,5% do orçamento o aporte anual com todos os precatórios.
Desenvolvido por Enzo Nagata