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MÉDICA DORIANA GARCIA E O CÂNCER:

“Minha primeira reação quando soube do diagnóstico foi de medo”
23 de julho de 2018
Doriana Garcia: “mesmo sendo médica, o início é apavorante, assustador”
A médica Doriana Garcia, nascida e criada em Jales, tem uma vitoriosa trajetória profissional. Formada pela Faculdade de Medicina do Oeste Paulista (Unoeste-Presidente Prudente), ela fez residência médica em ginecologia e obstetrícia. Antes de voltar à terra natal, Doriana trabalhou em consultório e hospitais de São Paulo, Barueri e Osasco. Também fez atendimentos em ambulatórios da Intermédica e Blue Life em São Paulo e como ginecologista em municípios próximos a Jales, estando atualmente em Mesópolis. Também atende em seu consultório particular e na Santa Casa.
Apesar de toda essa história de sucesso na profissão, a médica admite que sentiu medo ao saber que estava com câncer. Mas, ao invés de baixar a cabeça, ela preferiu ir à luta, postando um vídeo em seu perfil no Facebook falando sobre a doença, tratamento e levando palavras de esperança e apoio a pessoas na mesma situação.
Eis a íntegra da entrevista que Doriana concedeu ao Jornal de Jales (DRJ).

J.J. - Qual foi sua reação quando soube do diagnóstico?
Doriana Garcia - Medo! Ao ver as imagens nos aparelhos durante os exames, já percebi que não se tratava de algo muito bom, mas mantive a calma. Estava só e não tinha ninguém para dividir aquele momento. Por sorte estava indo para Ribeirão Preto participar de uma Jornada e acabei encontrando colegas Ginecologistas de Jales e passei momentos bons. Alguns dias depois veio então o diagnóstico definitivo e eu já estava um pouco mais “lúcida”. Precisei então decidir onde me tratar. Muitas pessoas me perguntaram por que não em Jales? Eu sempre comentei com as minhas pacientes quando dava algum diagnóstico que deveríamos deixar as vagas dos hospitais públicos para pessoas que não tinham outra opção, porque não é fácil aguardar meses por um atendimento. Optei então por usar meu Plano de Saúde que, assim como os hospitais especializados em Oncologia, tem profissionais extremamente capacitados e me ofereceram um atendimento muito satisfatório.

J. J. -  Pessoas comuns “perdem o chão” quando recebem a notícia de que estão com Câncer. E médicos, como é o seu caso?
Doriana Garcia - Não é diferente. No início é assustador e apavorante.  Pensamos na família, nos amigos, nos pacientes e como será a nossa vida a partir daquele momento.  Mas, quando nos deparamos com os profissionais que nos atendem nessa área, é muito diferente. Somos muito bem atendidas, sempre com palavras de carinho e de força, sendo que, de repente tudo se torna um pouco mais suave. Meu Oncologista disse: apesar de assustador, temos um armamento imenso para combate-lo e isso me deixou muito confiante. Não atribuo o fato de ser médica a estar hoje buscando meu bem-estar, e sim a confiança e a paz interior de que isso pode acontecer com qualquer um de nós e que não sou diferente de ninguém. Em momento algum me revoltei e sim agradeci por ter feito o diagnóstico, ter condições de me tratar e receber tantas palavras de carinho e conforto vindo de todas as pessoas, independente de serem minhas pacientes, conhecidas ou não.

J.J - Por que a quimioterapia antes da cirurgia?
Doriana Garcia - Dentro da Oncologia, a maioria dos tumores já tem um protocolo pré-estabelecido e amplamente estudado para o tratamento. Esses protocolos baseiam-se em estadiamentos que nos mostram em que estágio a doença se encontra. Por exemplo, se é localizada somente em um órgão, se já se disseminou e qual o tipo histológico, ou seja, qual o tipo de célula desse tumor. Portanto, a escolha da quimioterapia antes da  cirurgia foi devido ao estudo imuno-histoquímico apresentar células que respondem muito bem ao tratamento chamado imunoterapia, que ao invés de mirar o câncer, ajuda as nossas defesas a detectá-lo e agredi-lo, juntamente com os quimioterápicos.

J.J. - Por que a senhora resolveu expor publicamente seu caso em rede social?
Doriana Garcia - Nunca  escondi de ninguém que estava com Câncer. Desde o momento da biópsia até o diagnóstico definitivo, dividi com a minha família, amigos e pacientes os meus medos, angústias, ansiedade e muito, mas muito mesmo a minha esperança.
Sempre comentei com as minhas pacientes e de todas ouvia sempre palavras de força, que estariam rezando ou orando ou fazendo preces para mim. Justamente isso que eu precisava naquele momento: conforto.
A rede social foi uma forma de poder levar palavra de apoio, de esperança e principalmente de mostrar que estando em paz com o nosso interior, tudo fica mais fácil. Não devemos nos esconder, pelo contrário, somos pessoas especiais porque estamos lidando com uma doença que vem aumentando cada dia mais e se estamos ali, fortes, perseverantes, estamos ajudando não só os médicos, mas também a população a apoiarmos uns aos outros. Depois que descobri a minha doença, percebi que posso ser muito melhor do que imaginei ser. Cada dia que alguém me diz que soube que estou doente e muitas vezes se mostra triste, peço apenas que me ajude cada vez mais a me deixar forte e confiante em Deus.
Li recentemente e tem me ajudado muito que “a nossa vida é constituída das partes Física, Intelectual, Emocional e Espiritual e que dão forma a cada ser humano. A Física inclui coisas como seu corpo, saúde e energia. A Intelectual incorpora sua mente, sua inteligência e seus pensamentos. A Emocional leva em conta suas emoções, seus sentimentos e suas atitudes. A Espiritual inclui coisas intangíveis como seu espirito, sua alma e o poder superior invisível que tudo vigia.” Vida Longa!

J.J. - A senhora pretende postar outros vídeos sobre câncer ou incluirá também outros temas?
Doriana Garcia - Existem cinco tipos de câncer ginecológico: câncer de endométrio, câncer de ovário, câncer de colo do útero, câncer vaginal e câncer de vulva. O câncer de mama é mais amplamente discutido, porque segundo algumas pesquisas, as mulheres aceitam mais a ideia de falar sobre os seios e mostrá-los, do que falar sobre órgãos que estão dentro da calcinha, por exemplo.
Portanto, pretendo abordar, sempre que possível, não só o tema Câncer, mas também como prevenir as doenças que ainda hoje causam dor e sofrimento para as mulheres.
Devemos ter em mente que se não gastarmos tempo com a nossa saúde, perderemos tempo com as nossas doenças.