domingo 20 setembro 2020
Editorial

Mea culpa

Os próximos dois dias, 14 e 15 de setembro, prometem ser eletrizantes no universo político do país, eis que serão definidos os candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores.

O meio legal para que alguém se candidate é ter seu nome aprovado nas convenções dos partidos. Mas, a candidatura só será válida se, passados 15 dias do encontro partidário, ninguém impugnar o nome proposto.

Em Jales, as convenções acontecerão no prazo-limite, mas, até onde a vista alcança, não haverá surpresas de última hora.

Embora em política até boi voa, tudo indica que os contendores no dia 15 de novembro serão os representantes dos partidos que, à exceção do último pleito, em 2018, sempre se enfrentaram em nível nacional —o empresário Luís Henrique Moreira, pelo PSDB, e o ex-presidente da Câmara Municipal, professor Luís Especiato, do PT.

Na verdade, o fato surpreendente já aconteceu há 30 dias quando o atual prefeito Flávio Prandi Franco (DEM) deu uma série de entrevistas anunciando que não postularia o segundo mandato, invocando a prioridade ao combate à pandemia de coronavírus como principal motivo para não concorrer.

O gesto do prefeito chocou até seus correligionários mais próximos eis que ele tinha condições objetivas de disputar o pleito com chances de ganhar, como sinalizavam pesquisas idôneas, inclusive uma chancelada pelo Palácio dos Bandeirantes.

Mas, reconheça-se, a bem da verdade. Em nenhum momento, ao longo do seu mandato, o prefeito chegou a emitir sinais claros de que seu nome estaria na urna eletrônica em busca de mais quatro anos no poder. Toda vez que algum repórter o abordava sobre o assunto, ele sempre desconversava, argumentando que o assunto candidatura seria discutido na época oportuna, reservando suas energias, naquele momento, para a administração do município.

Independentemente da catatonia que tomou conta dos correligionários do prefeito após o anúncio de que ele não se candidataria para o segundo mandato, vale lembrar o que escreveu o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, domingo, dia 6 de setembro, no jornal “O Estado de S. Paulo”.

Do alto da experiência de quem governou o país por oito anos, entre 1995 e 2002, FHC escreveu o artigo “Reeleição e crises”, no qual, humildemente, como nunca foi, abriu o coração.

Entre outras afirmações, ele escreveu: “Cabe aqui um mea culpa. Permiti e, por fim aceitei o instituto da reeleição”. Mais adiante, ele foi ainda mais explícito: “Devo reconhecer que historicamente foi um erro: se quatro anos são insuficientes e seis parecem ser muito tempo, em vez de pedir que no quarto ano, o eleitorado dê um voto de tipo “plebiscitário”, seria preferível termos um mandato de cinco anos e ponto final”.


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