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MÁRIO SOLER, AUTOR DE LIVRO SOBRE EDINHO NA PREFEITURA DE SANTA FÉ DO SUL, NO FINAL DOS ANOS 70:

“Forte atuação de um grupo de jovens liderados por Edinho mudou Santa Fé do Sul”
06 de agosto de 2017
Mário Soler “nossa equipe investiu três anos de trabalho para concluir o livro”
Mário Soler, 62 anos, “caipira” da pequenina Ida Iolanda, é um dos mais respeitados jornalistas do interior paulista. No sábado, 29 de julho, ele lançou o livro “Caminhos do futuro”, sobre a administração Edinho Araujo, que tinha 26 anos quando foi eleito prefeito de Santa Fé do Sul
Soler tem  todas as credenciais para recompor a trajetória do atual prefeito de São José do Rio Preto, Jornalista formado pela Casper Libero,, com mestrado em Comunicação Social pela Unesp-Bauru,o autor exerceu cargos de chefia em publicações como Dia e Noite, Diário da Região, Folha de Rio Preto, TV Globo Noroeste Paulista e SBT. Já escreveu outros quatro livros, um dos quais de crônicas, duas biografias e sua tese na Unesp. Ele foi ouvido pelo Jornal de Jales sobre o livro recém-lançado. (D.R.J.)

J. J. - De que trata esse livro?
Mário Soler - O livro é focado na gestão do jovem prefeito Edinho Araújo, empossado na Prefeitura de Santa Fé do Sul em 1977, e resgata um período de quase sete anos marcado pelo progresso e desenvolvimento. A cidade vivia um dilema devido a uma série de problemas de infraestrutura urbana – como a erosão urbana e a falta de acessos viários – aliada à necessidade de mudança de perfil, partindo de uma economia baseada na produção das 3.500 pequenas propriedades rurais para se firmar como polo regional de comércio, lazer e serviços, dando também os primeiros passos no processo de industrialização. Chama a atenção a forte atuação de um grupo de jovens estudantes, liderados por Edinho, com um papel decisivo na mudança de patamar da cidade, hoje Estância Turística e reconhecida como uma das melhores para se viver no interior. Eles vinham com novas ideias e muita disposição para mudar. E isso ficou nítido ao final do governo, e deu tão certo que o jovem prefeito virou líder regional e deu um salto na carreira política conquistando inicialmente uma suplência em 1982 e logo depois a vaga de deputado estadual pelo PMDB.

J. J. - Quanto tempo você levou para concluí-lo?
Mário Soler - A ideia de registrar esse período em livro surgiu em 2009, mas ficou um bom tempo na gaveta. Convidado pelo jornalista Zeca Moreira fui incumbido de organizar o arquivo de documentos e fotos da carreira de Edinho Araújo, junto com os colegas Moisés Jr e Fabrício Spatti. Notamos que o farto material histórico ficaria restrito apenas ao arquivo pessoal do político e decidimos publicá-lo. Daí, surgiram três livros -  “38 anos na estrada”, uma passagem geral pela carreira de Edinho e sua vida familiar; “Rio Preto de coração”, mostrando sua relação de 15 anos com a maior cidade da nossa região; e agora “Os caminhos do futuro”, que conta o começo dessa aventura. Neste último livro nossa equipe investiu três anos de trabalho, porque fazíamos a maior parte da pesquisa, produção e separação de fotos e documentos nos momentos de folga, já que continuávamos na assessoria de Edinho. A maioria dos textos eu escrevi de madrugada e nos fins de semana. 

J. J. - Quais foram as fontes que subsidiaram as suas pesquisas?
Mário Soler - Um pouco de tudo, mas as grandes fontes foram os jornais regionais, entre os quais “O Jornal de Santa Fé” e o “Jornal de Jales”. Fiz entrevistas com ex-colaboradores do governo e tive acesso a documentos antigos que estavam acondicionados em sacos de estopa, guardados em quartos de despejo. Num desses sacos encontrei documentos originais preciosos, como o primeiro discurso do político, que está logo na abertura do livro, e a agenda do primeiro dia de trabalho do novo prefeito, além da portaria nomeando o profeta Aparecidão como jardineiro da Prefeitura. Iniciei contatos com o jornalista e advogado Alcides Silva para aprofundar a pesquisa, uma vez que ele acompanhou de perto a gestão de Edinho. Mas infelizmente ele faleceu em dezembro de 2013. Dediquei este livro a ele.

J. J. - Em que medida o trabalho de Edinho como prefeito de Santa Fé do Sul aplainou o caminho para sua carreira?
Mário Soler - Foi determinante para o sucesso dele como político. A gestão de Edinho Araújo despertou atenção, inicialmente, por ser ele um dos mais jovens prefeitos do Brasil. O trabalho intenso e a criatividade da equipe logo foram notados. O prefeito mantinha uma assessoria de imprensa que enviava para jornais e TVs notícias e fotos dos principais atos do prefeito. 

J. J. - Há alguma semelhança entre o Edinho prefeito de Santa Fé o Edinho três vezes prefeito de São José do Rio Preto?
Mário Soler - Sim, a obsessão pelo trabalho, em primeiro lugar. Em segundo lugar, tratar a cidade como uma extensão da casa dele. Edinho odeia ver canteiros e guias com mato, vias esburacadas e pintura de solo mal feita. Isso vem desde Santa Fé, quando ele se levantava bem cedo para visitar obras, ver a distribuição do serviço na prefeitura e dar entrevistas aos locutores de rádio antes do sol raiar. Em Rio Preto ele continua madrugando para fazer visita surpresa a obras em andamento e vistoriar a cidade. Anota todas as queixas que ouve de munícipes e cobra solução dos auxiliares. Como ele mesmo diz, o que mais gosta de fazer é “prefeitar”.

J. J. - Em sua avaliação, qual foi a maior realização de Edinho como prefeito de Santa Fé?
Mário Soler - Creio que foi o conjunto da obra, com realizações importantes que sedimentaram as bases para tonar Santa Fé uma cidade turística, polo estudantil e cultural. Houve uma revolução urbanística, com asfaltamento de vias tomadas pela erosão, a abertura do principal acesso da cidade à rodovia Euclides da Cunha, que implicou na polêmica remoção de parte do cemitério municipal, e a canalização do Córrego da Mula, que era uma dor de cabeça para os administradores. Uma parceria com o SESC rendeu Santa Fé o título de primeira Cidade Lazer da América Latina, com intensa programação educativa, de inclusão, lazer e esportes. O prefeito evitou o fechamento da única faculdade santafessulense, a Asec, que sobreviveu, prosperou e é a Funec que conhecemos hoje. 

Edinho gostava de fazer o marketing de seu governo e da cidade...? 
Mário Soler - Sim. Edinho colocou Santa Fé do Sul em evidência ao trazer para a cidade, em 1979, a gravação do filme “Estrada da Vida”, de Nelson Pereira dos Santos, baseado na trajetória da dupla Milionário e José Rico. O próprio Edinho foi ator do filme, interpretando um prefeito aturdido com o atraso da dupla para um show. Grandes jornais como Estadão, Folha de São Paulo e Jornal da Tarde deram a notícia. “Estrada da Vida” projetou a cidade e foi exibido até na China.