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MÁRCIA QUEIROZ PIETROBOM:

“Valeu a pena viver dois anos e quatro meses fora do Brasil”
04 de agosto de 2019
Márcia diz que, desde adolescente, dizia para sua família que queria morar na praia. Ela aparece na foto na praia onde acontece a primeira etapa do campeonato mundial de surf
“Valeu! Valeu cada dia de saudade, valeu a distância, valeu o investimento, valeu o choro escondido, valeu cada sorriso sincero, cada pessoa que eu conheci, cada lugar que visitei. Eu faria tudo de novo, sem sombras de dúvidas.”
As declarações incisivas são da jalesense Márcia Queiroz Pietrobom, 29 anos, formada em jornalismo pela PUC, cuja trajetória profissional contempla estágio no Tribunal Regional do Trabalho e analista de comunicação de uma grande empresa que cuidava da imagem de gigantes como a Singer, além de, através de sua própria empresa, prestar serviços ao Grupo Veco, referência em controle de contaminação ambiental em nível de América Latina.
Eis a síntese da entrevista que a filha de Marilza e José Roberto Pietrobom concedeu ao Jornal de Jales (D.R.J.)

J.J. Por que você resolveu viver fora do país durante um certo tempo?
Márcia - Durante a faculdade de jornalismo eu tive contato com muitas pessoas que já tinham feito intercâmbio e outras que estavam prestes a embarcar nessa viagem. E então essa ideia foi crescendo dentro de mim aliada ao fato de querer melhorar o meu inglês e conhecer outro país e outra cultura. Sabemos que o inglês se tornou um requisito básico no currículo e que ter o domínio dessa língua abre muitas portas profissionais. Então em dezembro de 2016 eu embarquei para Gold Coast, na Austrália, onde permaneci até março de 2019. 

J.J. Qual o motivo que a levou a escolher a Austrália?
Márcia - Quando decidi que faria intercâmbio, já tinha na minha cabeça que queria um país com o clima/temperatura semelhantes ao Brasil. E sim, eu queria morar na praia! Desde adolescente eu falava para a minha família: quando crescer, vou morar na praia. Então o intercâmbio foi a realização de um sonho de adolescente também. Apesar de ser do outro lado do mundo, eu me encantei por Gold Coast só de ver as imagens. as temperaturas no Verão variam de 210 a 340  e no Inverno: de 50 a 210.  Outro fator que me levou a escolher na Austrália, é que o visto de estudante nos permitia trabalhar 20 horas por semana, o que ajudava muito na hora de pagar contas como mercado, aluguel, transporte, entre outros. 

J.J. Foi difícil o processo de adaptação naquele país?
Márcia - Olha, ninguém disse que seria fácil, confesso haha. Mas eu gosto de desafios, sempre fui de me jogar e ver o que aconteceria nos próximos capítulos. Eu tinha noção de que a Austrália era do outro lado do mundo, mas não tinha noção da quão longe era. Só quando realmente desembarquei e passei pelas mais de 20 horas de voo. No começo eu senti muito a diferença do fuso horário, 13 horas (sem horário de verão) 12 horas (com horário de verão). Senti dificuldade em falar o inglês, mesmo com as aulas que já tinha feito no Brasil, quando você chega no país e escuta tudo em inglês é diferente. Passei por várias situações embaraçosas, mas no final deu tudo certo! 

J.J. Além de estudar, deu para exercer alguma atividade profissional no período em que você morou na Austrália?
Márcia - Vou deixar aqui os cursos que fiz, ok?
Curso de inglês na Bond University (uma das mais renomadas da Austrália) 
Curso de inglês na Pacific Study  e um curso equivalente a uma especialização no Brasil em Leadership and Managment (Liderança e Gerenciamento). 
Como meu visto era de estudante e era permitido trabalho 20 horas semanais, encontrar um trabalho na área era difícil por conta da carga horária e também porque um trabalho na área de comunicação exigia uma gramatica perfeita do inglês e eu ainda estava em busca disso, mas eu tive  a oportunidade de trabalhar no Commonwealth Games, em Gold Coast, que envolve mais de 35 países entre Inglaterra, Nova Zelândia, Canadá, Índia, África do sul, etc. 

J.J. Do ponto de vista de costumes, há muitas diferenças entre Brasil e Austrália?
Márcia - Sim, há muitas diferenças! Na Austrália você não pode beber na rua e nem na praia. No começo eu estranhei bastante, porque nós, brasileiros, adoramos uma “farra”. As praias são extremamente limpas. As leis de trânsito e para pedestres funcionam. Se você é pedestre e está perto da faixa para atravessar, os carros param naturalmente para você passar. O transporte público é excelente, com ar condicionado, seguem fielmente os horários, e sem superlotação mesmo na hora do rush. Tudo funciona perfeitamente, nós costumamos dizer que Gold Coast é um Rio de Janeiro que deu certo. Eu me sentia 100% segura, seja para andar de ônibus ou a pé, mesmo a noite ou de madrugada. 
Uma coisa legal de se ressaltar é que na Austrália não há muita desigualdade social. A Austrália detém o maior salário mínimo do mundo! O governo oferece ajuda financeira aos mais necessitados e as escolas públicas são de altíssimo nível. Eu trabalhava como camareira em um hotel e algumas amigas trabalhavam de garçonete, e nós morávamos no mesmo prédio que pessoas que trabalhavam em bancos, lojas, empresas, entre outros empregos. Era possível manter um mesmo nível social, independente do trabalho.


Experiência em Bali, na Indonésia

Uma das minhas maiores vontades como ser humano era a de fazer trabalho voluntário em algum lugar do mundo. E essa vontade falou mais alto quando pisei na ilha de Bali, na Indonésia, onde fiquei de março deste ano até junho. Costumo dizer que foi o meu melhor presente de aniversário (12 de março). Durante a minha estadia em Bali eu fiz trabalho voluntário com as crianças locais. Éramos um grupo de 10 voluntários e mais de 12 crianças. Ensinávamos inglês, brincávamos com jogos educativos, pintura, recortes. Tudo muito simples, mas sempre de coração e sorriso no rosto. Era uma troca de conhecimento e carinho. Impossível descrever em palavras o que esses momentos significaram para mim. 
Ajudar a comunidade, em qualquer parte do mundo que seja, deveria se tornar um hábito.