quarta 14 abril 2021
Comunidade

Manifestações da comunidade confortam família de Azizi Miguel João

Jales amanheceu triste no dia 13 de fevereiro, quando começou a circular a notícia do falecimento do sr. Azizi Miguel João ocorrido na noite anterior Ele tinha 89 anos e deixa a esposa Hania Haddad João e as filhas Priscila, Eliana e Lilian e seis netos.

Publicada na edição digital do Jornal de Jales, a notícia teve 2.326 visualizações. O corpo foi velado no templo da Primeira Igreja Batista de Jales, denominação religiosa que teve em “seo” Azizi, como era chamado carinhosamente, um de seus mais sólidos alicerces.

A cúpula da PIB planejou o velório rigorosamente conforme os padrões sanitários nestes tempos de pandemia, deixando a urna mortuária no centro de um quadrilátero cercado por cordas onde ficaram os familiares.

Entre os presentes e também nos dias posteriores, as palavras mudavam, mas o sentido era o mesmo — o de reconhecimento pelos relevantes serviços prestados não somente à Igreja Batista, mas à cidade como um todo em face de sua militância no comércio (Casas Americanas e Castelo Enxovais) e em todas as ações comunitárias que elevassem o nome da cidade e melhorassem a vida dos jalesenses.

“Ele era a humildade em pessoa, um verdadeiro cristão”, comentou o pastor Honório Amadeu Junior, da Vide-Igreja Batista da Comunidade. “Ele sempre foi um grande colaborador da Santa Casa e fazia questão de comparecer a todas as reuniões convocadas para decidir assuntos importantes”, observou o ex-provedor Junior Ferreira.

 “Uma grande perda para todos nós”, resumiu o pastor Elias Fernandes de Matos (ver matéria abaixo).

Passados nove dias, a família de Azizi Miguel João, ainda enlutada, registra através do Jornal de Jales o mais profundo agradecimento pelas demonstrações de solidariedade durante o velório e ao longo da última semana. “As manifestações das pessoas de Jales e de outras cidades muito nos confortaram”, disse sua filha Lilian, falando em nome da mãe e das irmãs.

DEPOIMENTO POR Pr. Elias Fernandes de Matos

“Azizi viveu o amor em essência”

Falar de Azizi Miguel João é discorrer sobre alguém que se doou pelo próximo, que soube conjugar o verbo doar e entregar.

Eu o conheci antes de virmos para Jales. Quando lhe pedi emprego, a primeira coisa que fez foi indagar: “você já acertou direito com meu irmão”?, pois eu trabalhava com o irmão dele na cidade de Irapuã, início dos anos 70. Então vim trabalhar com ele nas Casas Americanas.

Um homem, amado por todos os colaboradores.

O tempo passou e quis Deus me vocacionar para o ministério pastoral, mas como frequentar um seminário, posto que já tinha esposa e filhos? Azizi, me chamou em seu escritório e disse: “Vá, eu pago a você o mesmo valor do melhor vendedor da loja”. Isso ocorreu pelos cinco anos de seminário.

Azizi foi empreendedor nato, pois tudo o que idealizava realizar virava sucesso.

Sempre se preocupou com pessoas, olhar aguçado para observar quando alguém faltava em reuniões da Igreja. Sempre visitava pessoas da Igreja ou não.

Seus carros eram chamados de circular do Azizi, pois levava pelos quatro cantos da cidade aqueles que necessitavam de transporte.

Tínhamos um código. Quando ele chagava em minha casa de madrugada assoviando era alguém doente, mas fora de perigo; porém se viesse cantando, com certeza era óbito.

Dele posso dizer sem medo de errar, viveu o amor em essência. Foi meu amigo e conselheiro. Mesmo quando eu precisava de uns puxões de orelha, o fazia de tal modo que eu ficava feliz.

Azizi era um homem simples, sem exibicionismo. Ele visava sempre a glória de Deus. Foi esposo dedicado de Hania Hadad João, que não menos especial foi companheira em todos os seus empreendimentos, 56 anos de casamento. Tiveram 4 filhas, Miriam (já falecida), Priscila, Eliana e Lilian. 6 netos. Todos dedicados tal qual, o pai e a mãe, musicistas exímias.

Azizi e eu viajamos para São Paulo alguns anos atrás para cursarmos Faculdade Batista Teológica, por causa da família, desistiu do curso e eu segui só. Única vez que me deixou.

Ele viveu o que bem declarou Martin Luter King: “O amor é a forma mais perdurável do mundo”. Este poder criador tão belamente exemplificado na vida de Cristo é o instrumento mais poderoso e eficiente para a paz e a segurança da humanidade.

Azizi foi para a mansão eterna, só nos conforta o fato de que em breve nos encontraremos. Até breve, Azizi!

 

Pr. Elias Fernandes de Matos (Primeira Igreja Batista de Jales- PIB)


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